Curitiba A maioria dos advogados defende a manutenção das expressões em latim, além de outras peculiaridades da linguagem forense. O professor Cézar Antônio Serbena, do Departamento de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que a linguagem técnica deve ser conservada para garantir precisão. ''As traduções do latim são necessárias. A nova Constituição já introduziu novos conceitos de linguagem. A modernização ocorre, mas com limites.''
Um pequeno grupo de advogados está aderindo ao chamado Direito Alternativo, que prevê a democratização do direito, o que inclui a simplificação da linguagem. O movimento é mais forte no Rio Grande do Sul. No Paraná há poucos simpatizantes. Um deles é o advogado trabalhista Alfredo Emmerick. Da rotina de audiências tirou algumas conclusões: ''O texto apresentado na maioria dos processos é maçante, inflado, com excesso de palavras e pouca informação''. Ele atribui essa situação, que considera insuportável, ''à baixa qualidade dos advogados despejados no mercado''.
O advogado Romeu Felipe Bacellar lecionou Linguagem Forense na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) durante 10 anos, mas há 12 anos é professor de Direito Administrativo na UFPR e PUC. A disciplina de Linguagem Forense foi extinta na maioria das faculdades de direito. ''É lamentável, pois era a oportunidade de revisar noções de gramática e praticar a linguagem falada no foro, oriunda seja do latim, grego ou das ordenações do reino de Portugal'', explica o professor. Romeu Bacellar defende o estilo e a forma do discurso forense. ''O código de processo civil diz que nas petições e nos atos processuais tem que ser utilizado o vernáculo, mas existem expressões que o uso forense consagrou e que os advogados continuam usando porque muitas vezes uma expressão latina diz o que o português não consegue'' (leia no quadro alguns exemplos), argumenta.
O professor explica também que os advogados devem escrever de modo silugístico, ou seja, que a narração dos fatos utilize um raciocínio formado por duas idéias encadeadas de tal modo que sugerem logicamente a conclusão. Mas ele alerta para as facilidades da informática, que avolumaram as petições. ''Antigamente escrevia-se com mais originalidade e havia mais síntese, facilitando o trabalho dos juízes. Quando se tem certeza do direito isso pode ser dito em poucas laudas.'' (M.K.)

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