Há ainda um longo caminho a percorrer, porque a proposta só agora dá entrada no Congresso Nacional, mas trilha pelo caminho da moralização o projeto de lei que obriga os clubes esportivos profissionais a funcionarem como empresa.
A idéia não é nova, porque figura na Lei Pelé, que marcou a passagem de Edson Arantes do Nascimento no Ministério dos Esportes e ganhou força após os resultados da CPI do Futebol no Senado.
Pelo projeto que agora entra em discussão os clubes precisarão se converter em sociedades comerciais ou contratar congêneres para administrar suas atividades, sob pena de perderem os benefícios fiscais federais. E o Ministério Público poderá investigar irregularidades. Qualquer sócio cotista de clube ou membro do Conselho Nacional do Esporte (CNE) é parte legítima para denunciar dirigentes ao Ministério Público.
Se o projeto se destina a todos os clubes envolvidos com competições de atletas profissionais, é no futebol onde mais ocorrem desmandos e denúncias de corrupção, sobretudo na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que no Brasil é comandada há muitos anos por um mesmo grupo, desde os tempos de João Havelange até o do seu genro e atual presidente, Ricardo Teixeira, figurante na lista de denunciados da CPI.
Pelas novas regras, os clubes terão que destituir os dirigentes que não submeterem suas contas ao CNE. Simultaneamente, acaba de ser criado um grupo de trabalho que elaborará proposta de lei garantidora dos direitos do torcedor. (E, para manter a tradição das anomalias brasileiras, Ricardo Teixeira é membro do Conselho e daquele grupo de trabalho).
Outro dos benefícios da proposta é que, como os clubes passarão a ser empresas, os frequentadores de estádios passarão a ser clientes e passarão a ter uma série de direitos.
O que faltará implantar será a rotatividade dos comandos numa entidade poderosa e que manipula milhões, como a CBF. Há que substituir velhos dirigentes, que transformaram a Confederação num feudo, à mercê da decisão arbitrária de uns poucos, e interesseiros.

mockup