Papel social na integração de idosos em Londrina
Atualmente, percebe-se um alto nível de abandono de idosos pertencentes a casas de repousos públicas, principalmente por estes demandarem bastante atenção e cuidado. Uma pesquisa realizado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) de 2011 aponta que 83 mil idosos moram em asilos públicos ou privados no Brasil. Em uma conversa com representantes de asilos públicos londrinenses, percebeu-se que poucos possuem família e que visitas sempre fazem falta, mostrando como a taxa de abandono realmente é grande. Esse abandono acontece não somente por parte das famílias, mas também por parte da sociedade em geral, havendo falta de incentivos para a inserção dos mesmos na comunidade.
O modelo atual promove a exclusão. Os idosos têm pouquíssimas ou nenhuma oportunidade de participação na comunidade, o que afeta negativamente a saúde deles e, consequentemente, gera cada vez mais custos para a sociedade. Esta problemática ocorre mesmo existindo leis a respeito, como a lei municipal 7.995 de dezembro de 1999, na qual consta que "a família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, e garantir sua participação na comunidade [
]". Há também a Lei Nacional do Estatuto do Idoso que estabelece que "o idoso goza de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei, assegurando-se-lhe, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, para preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade".
É importante que existam políticas públicas municipais que façam a integração dos idosos com a sociedade e humanize essas relações. A Prefeitura de Londrina e a Secretaria do Idoso, como agentes que influenciam diretamente as casas de repouso locais, possuem o poder de realizar mudanças e cabe a nós, como cidadãos, exigir políticas que auxiliem e tragam melhorias para essa parcela da população.
Como exemplo de melhoria, podemos citar uma medida em vigência na Holanda onde jovens que necessitam de moradia para estudar podem residir em casas de repouso e em troca devem realizar 30 horas semanais de trabalho com os idosos. Os jovens podem realizar diferentes atividades, como passear com idosos, ensinar computação, entre outras coisas. Esta medida é interessante por trazer benefícios para ambas as partes, tanto para a saúde e inclusão dos idosos quanto para a redução de custos de jovens que precisam. Esse exemplo pode ser usado como base para criação de ações políticas em Londrina, devendo ser realizadas adaptações que as adequem às condições que a cidade oferece.
Pesquisas mostram que o número de idosos tende a aumentar cada vez mais podendo quadruplicar até 2060. Isso vai demandar grande atenção para os problemas como o grande índice de abandono por parte da sociedade, o alto custo com a saúde dos idosos, além da questão moral com relação à exclusão dessa fatia da população, pontos que devem se agravar ainda mais a longo prazo.
O estabelecimento de uma política nesse sentido pode acarretar grandes melhorias para a sociedade, tendo em vista a eficácia e os benefícios que podem trazer.
ISABELA HUMMIG e LETÍCIA HUTUL são estudantes de Administração na Universidade Estadual de Londrina
Aumento de canis clandestinos em Londrina
"É um assunto que influencia diretamente o dia a dia da população londrinense e é pouco discutido pela prefeitura"
Atualmente, Londrina vem sofrendo com um problema que passa despercebido da população e do município: o aumento dos canis clandestinos. É um assunto que influencia diretamente o dia a dia da população londrinense e é pouco discutido pela prefeitura.
Doenças ocasionadas por animais de estimação, principalmente em cães, são em sua maioria incuráveis como as zoonoses: doenças transmissíveis aos seres humanos. Nelas, se englobam a toxoplasmose, raiva, leptospirose, entre outras. Os maus-tratos ou até mesmo a falta do cuidado necessário com higiene dos animais acabam por proliferar essas doenças na população.
Na legislação municipal vigente, a única lei em vigor é a 9.605 formulada em 1988 que penaliza os maus-tratos a animais com 3 meses a 1 ano de reclusão. A lei existe, mas é evidente que não é aplicada com a seriedade que se faz necessário.
Do outro lado, entra uma parte da população que apoia a criação dos canis clandestinos pelo fato de que hoje os canis legalizados estão com sua lotação máxima, não aceitando mais doações de pessoas que não podem ou até mesmo não querem ficar mais com seu animal de estimação. Isso, consequentemente, causa o aumento de cães abandonados e de canis clandestinos. Esses canis buscam lucrar com a reprodução dos animais e, por isso, são apelidados como "fábrica de filhotes".
Segundo estudiosos, isso é uma questão de saúde pública e se faz necessário a conscientização das pessoas porque existem doenças que podem ser transmitidas de animal para animal, do animal para pessoas e que podem prejudicar a fauna silvestre. Além disso, os canis clandestinos são lugares onde há alta proliferação de vetores de doenças e de animais como ratos e baratas, sendo um ciclo de problemas.
Podemos apontar algumas medidas de solução para tanto o lado que critica quanto o lado que apoia os canis clandestinos. Por parte do governo, exige-se uma política mais rígida quanto ao assunto. Foram prometidos maior controle e fiscalização por parte da prefeitura que, por enquanto, estão sendo realizadas.
A primeira solução seria a realização de investimentos voltados à criação ou expansão de canis legalizados controlados pela prefeitura. A segunda solução é a implantação de um centro de tratamento de zoonoses. Londrina é a única metrópole do Estado que não conta com esse centro. Uma terceira solução seria a conscientização da população para que ajude a prefeitura a controlar práticas ilegais. Por último, após a implementação das soluções anteriores, se faz importante a criação de leis mais rígidas.
O aumento dos canis clandestinos em Londrina é assunto que deve ser mencionado em pauta legislativa. O número de doenças relacionadas às zoonoses vem aumentando conforme o desenvolvimento da cidade. E se o problema é originado por animais de estimação e são transmitidos a nós seres humanos, fica claro que devemos tratar a sua saúde da mesma maneira.
OTAVIO AUGUSTO ROSSATTO e RAFAEL NOBUYOSHI YUHARA são estudantes de Administração da Universidade Estadual de Londrina
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