O Papai Noel que está chegando não é apenas o de 2009. É o de 2010 também. Abundante, mais gordo e generoso, promete distribuir benesses o ano inteiro. Pelo menos para alguns setores que o governo quer agradar. Ou, se não exatamente isto, pelo menos para remover qualquer sentimento que implique em desconforto na caminhada rumo à eleição, em outubro. Para essa missão, o bom velhinho também estará mais politizado, pelo jeito.
Aumento real de salários para o funcionalismo, bons acordos com os bancários, elasticidade em toda sorte de crédito, enfim um ano de alto astral. O ''presentaço'' está sendo organizado às claras e dispensa qualquer possibilidade de um subentendimento, até porque não há nada de ilegal na iniciativa.
Depois vem a conta, mas isso é detalhe. Traduzido em cifras, o entendimento com o funcionalismo custará ao Tesouro R$ 40,15 bilhões no ano que vem. Isso sem contabilizar o aumento real do salário-mínimo, com um reajuste na faixa dos 9%, e das aposentadorias - cada ponto porcentual a mais na folha da Previdência Social equivale a R$ 2 bilhões.
Esse negócio de pagar a conta é irrelevante. Milhares vão pagar essa conta, inclusive você, leitor. O negócio é festar. Aliás, o governo comemora a negociação bem-sucedida com os 80 mil funcionários dos Correios. Depois dos 13 dias de greve em setembro (que, segundo a Agência Estado, deixaram 42,3 milhões de correspondências e 182 mil encomendas retidas), a empresa foi orientada a trabalhar com números mais generosos por um acordo bianual, que ''pulasse'' 2010. Nada de tumultuar a campanha com paralisações de serviços públicos. A ECT dobrou a oferta aumento real para 9%, desde que os funcionários não buscassem reposição salarial no ano que vem.
Sob o título ''Governo prepara agenda evitar conflitos políticos em 2010'', a Agência Estado (repórter Christiane Samarco) relata como o governo está evitando incômodos no curso da campanha.
O empenho do Palácio do Planalto em ''limpar'' o ano eleitoral de problemas políticos e administrativos é grande. E inclui a disposição de patrocinar acordos salariais com 1,4 milhão de funcionários, tirando pendências do caminho da ministra e pré-candidata Dilma Rousseff (Casa Civil) durante a campanha presidencial.

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