Papa rejeita tolerância zero contra abuso sexual
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sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Agência Folha 
São Paulo - O Vaticano rejeitou ontem as propostas de bispos norte-americanos para punir religiosos acusados de abuso sexual - como a remoção imediata de padres suspeitos - e disse que elas violam o princípio da presunção de inocência e dificultam a possibilidade de um julgamento justo.
Após descrever os abusos de menores como ''abomináveis'', o Vaticano alegou que as regras adotadas pela conferência episcopal dos EUA em junho para lidar com a onda de escândalos sexuais que atinge a igreja podem provocar ''confusão e ambiguidade''.
Autoridades da Congregação da Doutrina da Fé, dos Bispos, do Clero, dos Institutos de Vida Religiosa e dos Textos Legislativos examinaram o documento aprovado em junho e consideraram necessário proteger os direitos dos acusados de abusos, amparados pelo Código de Direito Canônico e pelo direito civil. A opinião do Vaticano é fundamental porque demonstra como a igreja pretende lidar com o problema não apenas nos EUA mas também em outros países.
Segundo a ONG Catholics for a Free Choise (Católicos pelo Direito de Decidir, em tradução livre), há cerca de 5.000 casos de vítimas de abuso sexual em ao menos 18 países, incluindo o Brasil. O Vaticano tem medo de que os padres acusados sejam punidos antes que comprovem sua eventual culpa, no que o papa João Paulo 2º, 82, descreveu como ''julgamentos sumários''.
Para a Associação Americana de Juristas de Direito Canônico (AAJDC), a política de tolerância zero contradiz os preceitos eclesiásticos e ''conduzirá a uma violação dos direitos dos padres''.


