Pão francês sob pressão
Entre abril e junho, os moinhos elevaram o preço da farinha de trigo em cerca de 5%
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Entre abril e junho, os moinhos elevaram o preço da farinha de trigo em cerca de 5%
Folha de Londrina 
O pão francês, presença quase obrigatória na mesa dos brasileiros, está prestes a ficar mais caro. E, embora o reajuste possa parecer pequeno diante de tantas outras despesas que pesam sobre o orçamento das famílias, ele é mais um sinal de uma inflação que chega justamente aos produtos básicos do cotidiano.
A redução de 23% na produção nacional de trigo ajuda a explicar a pressão atual. A menor área plantada, os custos elevados para o produtor, a entressafra e a redução dos estoques internacionais formam a combinação que deve elevar os preços do produto indispensável ao café da manhã nacional até o final de agosto. Somam-se a esse cenário as consequências ainda presentes da guerra entre Rússia e Ucrânia, importantes produtores e exportadores mundiais do cereal. O resultado é uma cadeia inteira pressionada, do campo à padaria.
Entre abril e junho, os moinhos elevaram o preço da farinha de trigo em cerca de 5%, mas representantes da área afirmam que a alta mais recente na principal matéria-prima do setor de panificação foi insuficiente para cobrir o aumento dos custos da indústria. O setor fala em um reajuste de mais 10% até os próximos 60 dias.
Para o consumidor, porém, a explicação econômica não diminui o impacto no bolso. O pão francês responde por cerca de 7,8% do custo da cesta básica, segundo o NuPEA da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). É um produto de consumo frequente, comprado praticamente todos os dias por milhões de famílias. Por isso, mesmo um aumento aparentemente modesto se acumula ao longo do mês e contribui para encarecer a alimentação.
Também é preciso reconhecer o esforço dos panificadores para retardar o repasse. O pãozinho funciona como uma espécie de cartão de visitas das padarias e aumentar seu preço pode significar afastar clientes. Muitos empresários têm absorvido parte dos custos, reduzido margens de lucro, combatido desperdícios e procurado alternativas para manter o produto acessível.
É preciso reconhecer que a crise no setor da indústria do trigo revela a necessidade de políticas capazes de estimular o produtor, ampliar a produtividade e tornar a cadeia mais eficiente e resiliente a fatores externos. Enquanto isso não acontece, resta ao consumidor conviver com mais um reajuste.
Obrigado por ler a FOLHA!


