Parece que o presidente Fernando Henrique Cardoso se antecipou ao anúncio do Supremo Tribunal Eleitoral dando autorização ao início da campanha eleitoral. No dia 3 deste mês, em comemoração ao quarto aniversário do Real, FHC resolveu fazer uma visita à mesma panificadora que em que esteve quando o plano ainda estava sendo implantado. Na cidade-satélite do Gama (DF), tomou cafezinho em copo de geléia e comeu pão com manteiga, os mesmos produtos da primeira vez. Comparou os preços, e feliz, pôde constatar apenas uma pequena variação, que segundo o proprietário do estabelecimento era consequência de uma promoção da época.
Este exemplo demonstra a dificuldade das eleições de 98, que possibilitam, pela primeira vez, a chance dos candidatos se reelegerem. O STE já se pronunciou sobre o assunto e divulgou algumas situações consideradas proibidas pela Justiça.
Segundo os discursos de alguns setores organizados, cabe à sociedade fiscalizar e denunciar as irregularidades dos candidatos à reeleição. Que batata quente sobrou para os pobres eleitores! Como provar que em determinada ocasião, apresentando-se como presidente, Fernando Henrique não embutiu em seu discurso um tom mais populista que o normal? Será que aparecer a reboque do Plano Real não faz parte do planejamento de campanha?
Impossível para Fernando Henrique separar os dois lados da mesma moeda. E, cá entre nós, ele saberá tirar bom proveito da dupla oportunidade de aparecer a atrair para si os votos da população. No exemplo do café e pão com manteiga, quando ainda não tínhamos entrado no período de campanha eleitoral, FHC já não conseguia disfarçar a pose de candidato que beija velhinhos e carrega crianças no colo.
Pelas regras de qualquer jogo, os candidatos devem estar em pé de igualdade para que a competição aponte com justiça o verdadeiro vencedor. Nas eleições de 98, enquanto Fernando Henrique divulga o valor destinado de sua campanha, algo em torno de R$ 73 milhões, a de Lula está estimada em R$ 15 milhões.
Com mais dinheiro no bolso e dupla chance de marketing pessoal, FHC está em vantagem. Mas o eleitorado brasileiro, a cada eleição, torna-se mais preparado para decidir baseado em propostas e não mais em oportunismo.
- PAULO BERNARDO é deputado federal pelo PT-PR

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