A geração de empregos retomou o fôlego no mês passado. Estatística do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados aponta para a criação de 101,4 mil vagas de trabalho com carteira assinada em agosto, o que mostra uma recuperação ante julho, quando o saldo foi de apenas 11.796 novos empregos, o pior resultado desde 1999. No entanto, apesar da recuperação – uma vez que as contratações estavam em queda desde maio –, o resultado está longe de ser positivo, uma vez que é 20,5% menor ao registrado no mesmo mês do ano passado.
O setor de serviços foi o que mais abriu postos, seguido pelo comércio. A avaliação é que agosto é tradicionalmente aquecido para esses setores, que ampliam seus quadros com vistas ao final do ano. Entre janeiro e julho foram criadas mais de 750 mil vagas, resultado 31,65% menor do que no mesmo período do ano passado e pior resultado desde 2004.
No entanto, importante ressaltar que os empregos industriais estão em franca queda. A indústria de transformação, por exemplo, fechou vagas pelo quinto mês consecutivo – uma redução de 4,1 mil postos somente em agosto. As indústrias têm perdido competitividade nos últimos anos. Mão de obra cara, baixa produtividade dos trabalhadores brasileiros, carga tributária das mais altas do mundo, custo dos insumos altos e infraestrutura deficitária são alguns dos gargalos enfrentados. Também deve-se lembrar, mais uma vez, que a indústria concentra os maiores níveis salariais e contribui fortemente para movimentar vários outros setores da economia.
É preciso retomar o caminho do crescimento e, apesar dos alertas emitidos há tempos, nenhum ação efetiva foi tomada. Oficialmente, em recessão técnica e às vésperas das eleições presidenciais, nenhuma iniciativa mais radical para mudar a política econômica será tomada. É chegado o momento de a população participar mais ativamente da vida pública do País e cobrar soluções. Um cenário com recessão, inflação em alta não pode perdurar.

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