Pânico faz poucas vítimas, mas é cruel
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sábado, 28 de setembro de 2002
Janaina Hoffmann<BR>Reportagem Local 
Usar o elevador, ir a lugares públicos, viajar de avião. Isso tudo parece normal para algumas pessoas. Mas para o vendedor autônomo de Arapongas, Cidimar Arruda, 37 anos, que há dez anos sofre da síndrome do pânico, a situação não é tão simples assim. O medo constante e a ansiedade impedem que ele frequente esse tipo de lugar, como a maioria das pessoas.
Arruda conta que prefere usar as escadas do que ficar preso dentro de um elevador. Viajar de avião, nem pensar. ''Quem tem este problema sabe como é horrível a sensação que se tem durante os ataques de pânico. Sinto tonturas, falta de ar e tenho muito medo. Parece que vou morrer'', afirma.
De acordo com o psicólogo e professor do curso de pós-graduação do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Bernard Rangé, que está em Londrina participando do Encontro Brasileiro de Psicoterapia e Medicina Comportamental, evento que acontece até hoje, apenas 2% da população estão sujeitas a sofrer a síndrome do pânico.
O problema que começou a ser estudado no final da década de 60 pelo americano Donald Klein, segundo o psicólogo, caracteriza-se por ataques recorrentes de medo, geralmente, imprevisíveis.
Os ataques costumam ser acompanhados de sensações corporais e de pensamentos de morte iminente. ''A experiência destas pessoas é dramática. Elas sempre têm medo de que os ataques aconteçam novamente'', esclarece.
Baseado em estudos, verificou-se que o problema afeta mais as mulheres do que os homens. Em cada quatro casos, três atingem o sexo feminino. O maior número de casos ocorre com pessoas entre 20 e 30 anos de idade.
Segundo Rangé, uma das principais causas da síndrome está relacionada ao estresse e a ansiedade. Na maioria das vezes, as pessoas que sofrem da síndrome do pânico têm medo de andar sozinha. Por isso, elas começam a não querer frequentar determinados lugares.
O tratamento é a melhor forma de ajudar estas pessoas que enfrentam o problema, de acordo com o psicológo. Além da utilização de medicamentos anti-depressivos, o paciente deve fazer terapia comportamental. ''O mais importante é fazer estas pessoas entenderem que os seus pensamentos e as suas interpretações, durante os ataques de pânico, não tem fundamentos. Elas precisam entender que a ansiedade não é um perigo, mas sim uma questão de sobrevivência.''


