Pandemia de gripe e seus lucros
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 2009
Flaubert Semprebom 
A verdadeira pandemia
é o lucro, a enorme
ganância desses
mercenários da saúde
Revendo alguns e-mails e sites enviados recentemente por alguns amigos, um e-mail sem autoria me fez refletir sobre a pandemia mundial de gripe e não dá para ficar calado diante de tanto alarde sem que haja questionamentos por parte de nós e da mídia. Vejamos alguns dados que podem nos levar a refletir sobre esta pandemia de informações que fomentam uma grande indústria de lucros em cima da desgraça dos mais pobres.
No mundo todos os anos morrem dois milhões de pessoas vítimas da malária, que poderia ser prevenida com um simples mosquiteiro. E os grandes laboratórios farmacêuticos não fazem nada - afinal, malária ocorre em países tropicais e geralmente pobres. Todos os anos dois milhões de meninos e meninas de todo o mundo morrem de diarreia que poderia ser tratada com um soro oral de 25 centavos. E todos nós ficamos alheios a isso. Sarampo, pneumonia e doenças curáveis com vacinas baratas causam a morte de dez milhões de pessoas no mundo todos os anos. E essas notícias não são divulgadas.
Mas, alguns anos atrás, quando a gripe aviária surgiu inundaram o mundo de notícias e sinais de alarme. Uma epidemia, a mais perigosa de todas! Só foi falado da terrível doença das galinhas, porém, a influenza causou a morte de 250 pessoas em todo o mundo. Duzentos e cinquenta mortos em quase dez anos dá em média 25 vítimas por ano. A gripe comum mata meio milhão de pessoas todos os anos no mundo. Meio milhão contra 25. Então, por que se armou tanto escândalo com a gripe aviária? Está claro. Porque atrás dessas galinhas havia um ''galo'' de espora grande: as duas grandes companhias farmacêuticas que vendem antivirais e obtiveram milhões de dólares de ganância.
Agora a psicose começou com a gripe suína - rebatizada de gripe A. E os meios de comunicação do mundo só falam disto. Os únicos antivirais que ainda têm ação mesmo que duvidosa contra o novo vírus estão patenteados na maior parte do mundo e são de propriedade dessas duas grandes empresas farmacêuticas, sendo elas a segunda e a quarta maiores fabricantes de remédios do planeta. Intrigante é que, como no restante de seus remédios, as epidemias são suas melhores oportunidades de negócio.
Vale ressaltar que o acionista principal de uma dessas empresas farmacêuticas é um personagem sinistro: Donald Rumsfeld, ex-chefe do Pentágono durante o governo de George W. Bush. Rumsfeld se tornou um dos homens mais ricos do governo Bush depois que o Pentágono comprou dezenas de milhões de doses do remédio do laboratório para medicar preventivamente as tropas do exército americano nas invasões do Iraque e Afeganistão, em 2005. Com essas vendas, o laboratório embolsou 1 bilhão de dólares, segundo a CNN.
Com a gripe aviária, elas lucraram centenas ou milhões de dólares. Com o anúncio da nova epidemia no México, as ações dessas empresas subiram entre 3%, e 6%; e isso é somente o começo. Os acionistas desses grupos estão esfregando as mãos felizes com as vendas milionárias do Tamiflu.
A verdadeira pandemia é o lucro, a enorme ganância desses mercenários da saúde. Não negamos as necessárias medidas de precaução que estão tomando os países, mas se a gripe A é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação, se para a Organização mundial da Saúde (OMS) ela preocupa tanto, por que não declara isto como um problema de saúde pública mundial e autoriza a fabricação de medicamentos genéricos para combatê-la? Enfrentar a epidemia da gripe não é tarefa das mais difíceis, o que realmente necessitamos é enfrentar também a epidemia do lucro.
FLAUBERT SEMPREBOM é pós-graduado em Ciência Política e Desenvolvimento Estratégico em Londrina


