A situação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) está cada vez mais insustentável. Sua permanência no cargo parece ser uma questão de tempo. Aumentou a pressão para que se afaste, e até mesmo aliados do governo começam a pedir a sua cabeça. Por mais que afirme que a crise nada tem a ver com a administração federal, o adiamento do ponto final atinge diretamente o governo Dilma Rousseff.
Há quase um mês a base governista no Congresso se esforça em defender o ministro dos ataques da oposição. Uma defesa que não faz muito sentido. Se como Palocci mesmo afirma, nada tem a esconder, por que não atender às convocações de deputados e senadores? Talvez, porque seja difícil defender uma atitude que, ainda que legal, não possa ser enquadrada como moral.
Depois de ficar durante todo esse período em silêncio, o ministro deu entrevistas na semana passada que foram pouco esclarecedoras. E a cada semana surgem novos capítulos - o último envolvendo o proprietário do apartamento onde Palocci vive em São Paulo. Nem mesmo a atuação ativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser suficiente para dar sobrevida ao ministro.
Enquanto a presidente se cala sobre o assunto - um silêncio que provoca arranhões cada vez mais profundos na imagem de Dilma e precisa ser quebrado em respeito à população -, Palocci recebeu apoio um tanto inusitado nessa segunda-feira. Durante visita ao Palácio do Planalto, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mostrou-se solidário ao chefe da Casa Civil. Só não dá para avaliar se o impacto desse apoio será positivo.
A apatia do governo federal diante da crise envolvendo um de seus principais membros é desconcertante. A forma como Dilma lida com a primeira forte crise de seu governo não condiz com a sua fama de grande gerente. Quanto tempo mais de sangramento será necessário para que a história tenha um fim?

mockup