Palocci mantendo impostos altos
Se o Governo não diminuir os gastos da máquina pública não sobrará, mesmo, espaço para diminuir impostos. Quem diz que ''não há espaço'' para operar-se agora uma queda tributária é o superministro Antonio Palocci, sob a alegação de que o Governo necessita de dinheiro para investir nos problemas da área social. Com toda certeza esse investimento é mais que necessário, mas não se viu grande progresso nesse campo nos dois anos da administração petista. Soluções como a da fome, do desemprego, da habitação, da reforma agrária só para citar as mais reclamadas não fizeram avanços substanciais. Por ora o Governo faz mais é cumprimentar com o chapéu alheio ao exaltar o elevado desempenho das exportações, porque este não é mérito governamental e sim da cadeia produtora nacional, destacadamente a agricultura e a pecuária. Palocci nega que tenha havido aumento de impostos no atual Governo, mas tributaristas aguardam os números de 2004 e acreditam que houve elevação da carga tributária, sobretudo face à alta da alíquota do Cofins. Para 2005 há o aceno de mais aumento, se prevalecer a proposta contida na MP 232, ora em tramitação no Congresso. Palocci declara o que constitui um discurso de todos os governos: que o objetivo é o crescimento sustentável da economia, mas na prática não se conhece medidas nesse sentido oriundas da esfera governamental. Falta ainda o grande projeto do PT, se é que existe algum. A nação esperava, dois anos atrás, por uma revolução desenvolvimentista por via de magistrais soluções, que estavam no bojo da campanha, mas tal não aconteceu. O caminho mais fácil para o Governo é manter arrecadação alta pelo expediente do arrocho, quando mais impostos arrecadaria se promovesse estímulos ao desenvolvimento, que assim o aumento do volume tributário seria um processo natural. Com baixo desempenho da economia, também o porcentual da receita diminui, pois é consequente, mas o Governo que muito gasta e muito deve vai sangrando o contribuinte e, dessa forma, concentra renda em suas mãos e estanca o crescimento econômico. A resultante é também menos porcentual de impostos. É a roda girando em sentido contrário. Se metas desenvolvimentistas fossem postas em ação, todos ganhariam, porque também a receita tributária fluiria em maior volume. Como neste Governo não há um programa de metas, tudo vai ficando nos discursos e em afirmações como esta do ministro da Fazenda de que ''não há espaço'' para baixar impostos. Sem planos governamentais que revertam a situação, resta o Brasil-cidadão, que apesar de tudo não esmorece. Uma nação avança quando operam juntos a cadeia produtiva e o Governo, este na parte que lhe toca cooperando com políticas públicas pertinentes, como estímulos fiscais, diminuição de impostos, diligenciamentos para baixa dos juros, propostas de mudança de leis, desburocratização, enfim menos emperramentos e mais presença solucionadora.





