PALAVRAS CRUZADAS - Passatempo popular é terapia mental
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domingo, 11 de janeiro de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Palavrascruzadas.com.br. Não falta quase nada sobre palavras cruzadas neste endereço eletrônico. É só entrar em qualquer sítio de busca para verificar o quanto o tema é explorado na rede mundial de computadores. Há endereços onde é possível exercitar a paixão pelo passatempo no monitor, mas o mercado editorial continua com fôlego e ganha impulso nesta época do ano graças à concentração de viagens e da quantidade de trabalhadores em férias.
Somente no Brasil, são vendidos mensalmente dois milhões de exemplares. O passatempo completou 90 anos. No dia 21 de dezembro de 1913, o suplemento dominical The Fun, do jornal nova-iorquino The Word, publicou charadas elaboradas pelo enigmista Arthur Wynne, considerado o pioneiro na área.
No Brasil, a história das palavras cruzadas começou no dia 22 de abril de 1925. O pioneiro foi o diário carioca A Noite. Agora, 77 anos depois, o passatempo se tornou seção obrigatória em jornais de média e de grande circulação no País.
Uma das editoras mais tradicionais do País, a Ediouro baseou por muito tempo sua receita na venda de revistas especializadas. Atualmente, apesar do leve encolhimento do mercado, a editora disponibiliza 10 linhas de revistas com 45 títulos. Somente a Ediouro, que fatura anualmente R$ 60 milhões (segundo informação da Isto É Dinheiro), tem 35 modalidades de passatempos baseado nas combinações de palavras.
A empresa patrocina projetos pedagógicos enviando revistas para escolas interessadas em todo o Brasil. Como incentivo, os professores promovem concurso entre alunos. Há até livros para ajudar os participantes a se preparar para o desafio, como o Novo Dicionário de Palavras Cruzadas (Imago Editora, R$ 18,00), de Amaryllis Rabelo.
O jogo é considerado pelos pedagogos importante elemento para a riqueza vocabular e é considerado pelos especialistas em atividade cerebral (ver quadro) como terapia e instrumento de recuperação da memória.
''É um exercício excelente para o vocabulário, para a agilidade mental. Entretenimento saudável, que tem gosto de férias'', declarou o telenovelista Manoel Carlos, em frase selecionada no site www.coquetel.com.br.
Outra frase da seleção é do já falecido poeta Manuel Bandeira, que fez uma defesa apaixonada do passatempo: ''As palavras cruzadas serão utilíssimas aos brasileiros, que costumam ignorar os nomes das coisas. Brasileiro não sabe os nomes das plantas nem das flores, e qualquer objeto chama coisa, troço, negócio'', disparou. ''Eu gosto de decifrar palavras cruzadas para descansar o espírito e aprender o nome das coisas''.
O cineasta Charles Chaplin também era outro intelectual que praticava o passatempo, associado preconceituosamente a pessoas idosas e de vida ociosa. ''Uma palavra cruzada alinha sempre meus pensamentos antes de dormir'', ensinou.


