Paixão e inferno, isto é o Zerão
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Iracema Mangoni 
A paixão linda está entre os jovens enamorados, os casais de terceira idade, os pássaros, os gambás que aqui habitam, a família de ratões do banhado, os amigos que andam juntos, na juventude sarada que pratica esportes e lazer no Zerão. Ah! A nossa flora é linda. Os ipês, os manacás, a própria vegetação ribeirinha é um convite aos apaixonados do Zerão. A própria Feira da Lua, tão linda e tão produtiva, que fica logo ali depois do Zerão.
O inferno está nos traficantes que passam drogas aqui, e as autoridades constituídas que não tomam medida alguma para reprimi-los. Aos jovens drogados que se abraçam e descem a ribanceira para curtir melhor seu êxtase de fuga. Aos menores embriagados, aos quais é vendida bebida sem controle algum, e que também fazem parte do mundo do Zerão, em seus devaneios doentios. Ao mocó oficial que fica nas escadarias e nos banheiros do anfiteatro, onde jovens que deveriam ser inocentes pela sua idade, que deveriam estar nas escolas, que deveriam estar amparados pelas autoridades constituídas e por nós também, que fazemos parte da sociedade , fazem sexo a céu aberto, sob o efeito de alucinógenos. Esse mocó não é igual àquele da Duque de Caxias, que será demolido por ordem judicial. Esse mocó é municipal.
Um capítulo especial para o inferno: ''Trocentos'' decibéis de som, som, som. Jovens apaixonados por som exuberante, leia-se muitas turbinas de aviões a jato funcionando juntas. Legal. Loucura mano! Todo mundo turbinado, de uma forma ou de outra.
No mundo todo, existe uma grande preocupação em se preservar a natureza. Aqui no Zerão, alguns frequentadores, poucos animais que pertencem à fauna humana, fazem dele um verdadeiro inferno, estressando as pessoas, os animais e quem sabe até a flora.
Os moradores circunvizinhos. Ah! Estes que se lixem! Viva a libertinagem, em detrimento das pessoas que procuram o Zerão para apreciar sua natureza, para passear e para ter horas de lazer neste cartão postal de nossa cidade. Onde estão nossas autoridades municipais, estaduais e federais?
Nós frequentadores do Zerão que sonhávamos, estamos convidando os senhores para virem passear aqui, especialmente, domingo à tarde. Participar do congestionamento de veículos com seus condutores furiosos buzinando, cujo som das buzinas junta-se ao som turbinado dos veículos estacionados. Horário em que nós trabalhadores deveríamos descansar para começar a labuta da segunda-feira. Venham aqui dizer aos jovens loucos por som, que eles não podem usar decibéis de turbinas de avião em nossos ouvidos, na passarada, nos gambás. Que eles não devem estacionar veículos sobre a calçada, que eles são proibidos de usar drogas, ao menos na frente de não usuários. Que não podem ficar brigando, e uns quebrando os dentes dos outros, sob efeito de drogas leves ou pesadas permitidas ou não, enquanto suas mamães e papais, não se preocupam em saber, com quem andam e onde estão.
Não somos a favor de truculência. Mas experimentem vir falar com esse pessoal. Eles xingam, se não corrermos, nos agridem verbal e fisicamente, e ainda levamos sonoras vaias, estas desafinadas pelo uso de droga. Já presenciamos muito disso. Os acontecimentos têm duas versões: a verdadeira e a falsa. E a única polícia que tem tido preocupação em tentar manter a ordem por aqui, nessa balburdia toda, é a militar. E é achincalhada, senhores.
Não sabemos mais a quem pedir socorro. Mas vamos tentar mais uma vez: SOCOOOOOOOOOOOORRO! Prefeito e suas secretarias de Meio Ambiente e Social, Polícia Federal, Civil, Militar, doutos Promotores do Direito do Cidadão, Chefe da 12 Ciretran de Londrina, e a quem mais quiser vir em socorro dos frequentadores do Zerão.
IRACEMA MANGONI é ex-vereadora e advogada em Londrina


