Paisagem nas terras da CTNP - 'Chácaras', Gleba do Patrimônio e Colônias
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segunda-feira, 26 de junho de 2023
Humberto Yamaki 
“Nos patrimônios da CTNP, uma faixa circundante foi deixada livre para a produção de frutas e cereais”. Informava o Álbum de Londrina (CTNP, 1938). Quarenta anos depois, essa faixa foi redenominada de “cinturão verde” (CTNP, 1977). Resultou em várias interpretações. Dentre elas o de “greenbelt”, associado ao movimento das cidades jardins.
Vale lembrar que, no Relatório de Balanço da Paraná Plantations Ltd. (Londres, 1938), os patrimônios da CTNP eram citados como townships. Não havia referência à Garden City ou outro modelo urbanístico.
O empreendimento da CTNP foi resultado da aplicação sistemática de Decretos de Colonização e de Concessão de Ferrovias (Yamaki, 2017). Em relação à colonização, havia cláusulas sobre títulos de propriedade, fertilidade de terras, facilidade de acesso, água em abundância, parcelamento em lotes de dez alqueires e propaganda no exterior. Outras diretrizes eram a divisão em Núcleos Coloniais com patrimônio sede e reserva para experimentos agrícolas. Nas ferrovias, havia cláusulas sobre o levantamento de terras, distanciamento de paradas e estações, disponibilidade de lenha e água, reta e estação junto ao patrimônio. Os decretos traziam cláusulas de incentivo ao transporte e instalação de imigrantes. Num projeto de colonização existiam múltiplas e inter-relacionadas variáveis. Silenciar era uma forma de poder.
A área próxima à Nova Divisa de Terras CTNP (1927) foi o local de início dos projetos. Ali estava previsto o cruzamento de duas ferrovias. O ramal 2 da EFCP ajustado para a CTNP (1925) que ligava a concessão Oliveira & Lobo (rio Bom) ao patrimônio de São Salvador (rio Paranapanema), e, a linha tronco da CFSPP (1928) que ligava Cambará ao rio Tibagi e prosseguia. Definiam os eixos NS e LO.
Continuando. A mais antiga “Planta Parcial n.1 de Colonização CTNP” resgatada é de maio de 1932. Traz, todavia, a data 1930, manuscrito na cópia. No cruzamento de duas ferrovias foi deixada uma área retangular, sem parcelamento. Foi denominada “Chácaras”. Circundaria o futuro patrimônio de Londrina (1932). Tinha como limites a Nova Divisa de Terras, o Patrimônio Três Boccas, o ribeirão Quati e as fazendas Coati e Particular.
Fato pouco conhecido é a implantação de Colônias Shokuminchi, de imigrantes japoneses, no limite externo da área de “Chácaras”. Trazia estabilidade às frentes de colonização. Evitava a ocupação dispersa. Era resultado de observações de dirigentes da CTNP em excursões ao Estado de São Paulo. Um conjunto de lotes rurais contíguos, previamente parcelados, organizados para instalar comunidades de imigrantes.
Colônia Dai Ikku, Dai Niku e Chuo ku foram implantadas em sequência (1930-32). Na pioneira Dai Ikku, a Companhia doou dois alqueires para a instalação da escola. Reproduzia uma estrutura tradicional. A organização da comunidade facilitava a ajuda mútua, a educação e administração. O empenho da Companhia também pode ser observado na publicação Norte do Paraná – Califórnia do Brasil, 40 páginas, em língua japonesa (CTNP, 1931). Ao conjunto de Colônias de imigrantes japoneses no empreendimento foi dado o nome de Colônia Internacional (1934), conforme sugestão de H. Udihara. (Yamaki, 2008).
Depois da área de “Chácaras”, a CTNP definiu a expandida “Gleba do Patrimônio” (1935). Servia de amortecimento à pressão de expansão do patrimônio e da subdivisão acelerada de lotes rurais. Tinha como delimitador as Colônias Shokuminchi previamente implantadas.
Patrimônio, “Chácaras”, Gleba do Patrimônio e Colônias Shokuminchi formavam faixas reconhecíveis segundo hierarquia e usos. Esse método de planejamento foi reproduzido pela CTNP nos patrimônios seguintes, ao longo da Estrada Mestre. Tiveram papel estratégico, fundamental na definição das características da paisagem e estruturação do território.
Humberto Yamaki - coordenador do Laboratório de Paisagem da UEL
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