A um bom observador, um passeio nos arredores de Londrina ainda permite descobrir belas paisagens. Plantações se sucedem e revelam nas lavouras e carreadores, as marcas do parcelamento com rigor. Estradas no espigão permitem vislumbrar paisagens cênicas, a perder de vista. Distritos e grupos de edificações simbólicas de comunidades variadas vão pontuando o conjunto.
A partir de certos locais, é possível observar ao longe as cidades, com distanciamento uniforme planejado pela Companhia de Terras.
As paisagens conferem identidade e definem o senso de lugar, o Norte do Paraná.
Lewis(1979) afirma que a paisagem é como uma autobiografia não autorizada. Expõe nossas imperfeições, mas também as glórias. Revela qualidades a quem quer encontrar e sabe como olhar.
Em certo aspecto, as paisagens também podem ser consideradas ambientes simbólicos. As pessoas constroem e compartilham significados.
Londrina é terra de migrantes e imigrantes.
Bastante conhecida é a lista de trinta e uma nacionalidades apresentadas pela Companhia de Terras Norte do Paraná em 1938. Brasileiros, italianos, japoneses, espanhóis, portugueses, poloneses, ucranianos e húngaros constituíam a maioria.
Essa variedade se refletiu como riqueza e diversidade na paisagem regional. Cada grupo cultural vai moldando a paisagem de acordo com seus ideais e visões de mundo. Segue deixando marcas no nome de lugares - toponímia, organização espacial dos patrimônios e glebas e na maneira de construir, morar e organizar a comunidade.
Todo esse patrimônio paisagístico de dezenas de grupos pode se transformar em atratividade. Um planejamento menos burocrático, a legislação específica, o conhecimento da história e o interesse dos proprietários, associados à sensibilidade de técnicos e gestores, resultará em paisagem com forte identidade. Permitirá assim a sobrevivência de paisagens memoráveis.
Retornando à questão dos imigrantes. Em abril de 2009, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) criou a chancela da paisagem cultural brasileira. "É uma porção peculiar do território nacional, representativa do processo de interação com o meio natural, à qual a vida e a ciência humana imprimiram marcas ou atribuíram valores."
Reforça a gestão compartilhada do poder público, sociedade civil e iniciativa privada para conservação da paisagem. Assim, foi aprovada em 2011, a primeira chancela de paisagem cultural em relação aos bens de imigração alemã em Santa Catarina.
Nos próximos vinte anos, Londrina poderia desenvolver estratégias para o reconhecimento da singularidade e preservação da paisagem multicultural do Norte do Paraná. Um patrimônio regional e nacional em 2034.

HUMBERTO YAMAKI é coordenador do Laboratório de Paisagem da Universidade Estadual de Londrina

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