Pais devem policiar jogo eletrônico violento
As opiniões divergem sobre a eficácia ou não da proibição, por lei, da venda e difusão dos jogos eletrônicos que salientam as disputas violentas e as tantas mortes, destruições e brutalidades virtuais. Mas é indiscutível que a participação das crianças e adolescentes nesses confrontos porque eles não assistem apenas, mas interagem nas lutas exerce pesada influência de comportamento. A mente das crianças é como um tela branca e imaculada, que tudo absorve e vai acumulando nódoas.
Duas opiniões publicadas ontem na página 3 deste Jornal posicionam-se divergentes, porque uma pedagoga é a favor de se proibir a venda desses jogos, e um advogado diz que a proibição de nada adianta, porque com tanta pirataria seria uma medida inócua. A restrição por decreto pode inibir um pouco a venda mas será difícil controlar a internet, hoje tão disponível quanto o ar que se respira. É como espalhar penas ao vento e pretender depois recolhe-las. Porque o mundo inteiro pode hoje dispor de coisas boas da TV, da internet e de jogos eletrônicos, mas é tentado por igual quantidade de tudo o que é nocivo. No passado, pais e educadores proibiam que as crianças lessem gibis, a maioria com matriz importada dos Estados Unidos e que mostravam as brigas de gato e rato, e na continuidade o cinema de péssima qualidade porque igualmente violento e originário da mesma fonte, viria até os dias atuais a robustecer a difusão dessas verdadeiras aulas de violência.
Nada pôde ser contido, mas ao contrário, tudo evoluiu intensamente e hoje é o brilho da telinha que fascina das tevês, dos vídeogames e do telefone celular disponibilizando todo o tipo de produto. A psicóloga Cecilia Baltazar, entrevistada ontem pela FOLHA, não faz referência a medidas legais proibitivas mas afirma que o adolescente viciado nesses jogos violentos acaba também ficando agressivo. A proibição por parte dos pais ela declara provoca a curiosidade das crianças, então eles têm de participar do jogo e orientar. Ela enfatiza a necessidade da constante presença dos pais no processo.
O maior problema diz é que na hora de escolher o personagem do jogo, tem muita criança se identificando com o bandido. Assim, ela absorve o perfil do delinquente, as armas que usa e as estratégias de ataque. No passado as crianças brincavam de forma alegre e sadia, agora brincam com a violência virtual lembra essa especialista.
Óbvio que a legislação também pode ajudar, mas o caminho (bem mais longo) é o da progressiva conscientização dos pais (e por que não?) também das crianças, que deverão ser orientadas para ir entendendo que essas coisas não prestam. As escolas também devem dar atenção a essa complexa disciplina.





