Pagar o Brasil para que preserve a Amazônia
Só talvez recebendo dinheiro o Brasil passasse a preservar a Amazônia. Mesmo assim não haveria uma garantia disso. A ideia de receber para cuidar é do ambientalista e professor universitário alemão Detlev Drenckhahan, presidente de uma das maiores ONGs ambientais do mundo - a Worldwide Found for Nature, da Alemanha - ao proferir palestra em Londrina. Depois que os países hoje materialmente desenvolvidos destruíram todas as suas florestas nativas, eles sentem o resultado da imprudência que cometeram e olham para pontos do mundo onde elas ainda existem, como o Brasil, o Congo e a Indonésia.
Por essa razão, no caso brasileiro, esse especialista defende que os países que detonaram suas matas paguem uma cota regular ao Brasil. Aquela própria entidade ambiental tem uma arrecadação anual de 1 bilhão de euros, captados por doações dos seus mais de 5 milhões de membros, presentes em 50 países, e tem mais de mil projetos desenvolvidos.
Destacados estudiosos do clima, cientistas, presidentes de entidades ambientais e todas as demais pessoas conscientes do mundo alertam para a importância da Amazônia, mas os governos brasileiros - todos eles - nunca deram a atenção devida a esse riquíssismo patrimônio e permitem o desmatamento, até porque sempre houve corrupção envolvida, conforme os constantes relatos.
A verdade é que a floresta está indo abaixo, no alarmante volume de 2 milhões de hectares ao ano, segundo o registro daquela ONG. No presente governo, pouco ou nada está sendo feito para conter essa onda devastadora, enquanto um poderoso organismo de segurança - as Forças Armadas, com 320 mil homens, que só desempenham tarefas pontuais na Amazônia - não é acionado para agir. Lula sabe muito bem articular composições políticas, engendrar programas populistas de repasse de dinheiro aos pobres (com benefícios e desvantagens), mobilizar-se para fazer seu sucessor e discursar rebatendo os que lhe fazem críticas. Nada de projetos grandiosos. O Brasil é o quarto maior poluidor atmosférico do mundo e contribui para a intensificação do efeito estufa por conta do desmatamento e das queimadas.
Sem a floresta amazônica não ocorreriam as necessárias chuvas. A desertificação da África ocorreu por conta da derrubada contínua das árvovres. Terras improdutivas para cultura alimentar deveriam ser reflorestadas - recomenda Drenckhahn. A destruição da Amazônia não trará problemas apenas para o mundo mas também para o Brasil, que poderá converter-se em ponto de ciclones, tufões e todo o tipo de tempestade.
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