Pagar FMI, um bom discurso eleitoral
Não foi um bom negócio o Governo antecipar em dois anos o pagamento de sua dívida de US$ 15,5 bilhões com o Fundo Monetário Internacional, um compromisso que previa a quitação em parcelas, até 2007. O ufanismo é que, depois de 8 anos, o Brasil fica livre do FMI, instituição que tem um significado político de estigma e cuja sigla tem sido utilizada como um sentido de mal. A jogada da antecipação tem, portanto, um fim ideológico, com vistas à reeleição do presidente Lula. O povo não será beneficiado por esse pagamento, mesmo com a vantagem da economia do juro correspondente ao período. Porque a queda de 55 bilhões de dólares da reserva internacional para 40 bilhões (em face dessa quitação adiantada) não deixa de ser um enfraquecimento na política do risco Brasil. Em circunstância de fragilidade que não é o caso brasileiro do momento ocorre a fuga de capitais, pelo temor de que o País possa dar um calote. Uma tal fuga seria desastrosa e sairia mais cara num confronto com o que se poupa agora com a anunciada antecipação ao FMI. Portanto, antecipar a liquidação é sempre um risco de as coisas piorarem no item do balanço internacional de pagamentos. A expressão ''livre do FMI'', como proclama o presidente Lula, tem um ingrediente de bravata, porque nada assegura que mais tarde o atrelamento do Fundo não volte a ocorrer. A cartada tem, sem dúvida, conotação eleitoreira. É um bom discurso político. Na reunião de segunda-feira com os 33 ministros o Presidente deu o tom: doravante eles têm de gastar, em forma de realizações, e defender o Governo. ''O ano de 2006 é crucial'', disse Lula, mas não se crê que o que não foi feito em três anos o seja em um ano apenas. Estratégias, portanto, de coloração eleitoreira, como foi o lance da quitação do débito com o FMI. Ao tomar esta medida, Lula acolheu proposta do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central, como forma de rebater as críticas à política econômica governamental partidas de dentro do próprio Governo e das oposições. Dois bancos o Itaú e o Bradesco fizeram efusivos elogios à atitude dos dois em decidir pelo pagamento adiantado. O Brasil é devedor do Fundo desde 1998, no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. Mas, quitado esse débito, a dívida externa brasileira continua alta, significando que será necessário gerar mecanismos para pagá-la. E o crescimento do Brasil, para que tal aconteça, é ainda inexpressivo, pois seu desempenho nessa área neste ano, só para citar um exemplo ficou abaixo dos países emergentes.





