Pacto econômico
O Brasil tem sua história marcada por constantes crises econômicas, sociais e políticas, o que periodicamente tem levado a população a enfrentar graves problemas. Faltam investimentos na educação, na saúde, na geração de emprego e na produção agrícola e industrial. O País vive angustiado, atrelado ao FMI, e consequentemente à mercê das crises de outros países. Não existe um plano próprio e duradouro. O mercado brasileiro é pior que o persa.
A bagunça é generalizada: os juros e o dólar sobem e descem numa gangorra que parece movimentar-se a 100 por hora. A carga tributária imposta à classe produtiva é a maior do mundo. São inúmeros impostos, que vão da CPMF ao Imposto de Renda, abocanhando o minguado lucro da produção nacional que ainda é obrigada a concorrer com os produtos importados.
Mais que atentar para esses detalhes, é preciso cobrar dos nossos representantes a tão propalada reforma tributária e econômica. Não aguentamos tamanha injustiça fiscal, não suportamos mais ver o nosso dinheiro se esvair pelo ralo da corrupção, da evasão de divisas e dos benefícios concedidos aos grupos econômicos, especialmente ao setor bancário, que tem lucrado alto com tantas benesses do Poder Público.
Temos que começar a construção do caminho que nos levará à estabilidade, ao progresso sustentável e ao desenvolvimento tecnológico. Não podemos ficar na dependência de outros países. Se assim for, estaremos sujeitos a dias de nebulosidade e a temporais, representados pelo calote interno e pela miséria, que já assola 40% de nossos irmãos.
A ciência evolui e com ela toda uma cadeia de produtos e serviços à disposição da humanidade, que deve a todo custo buscar a socialização do capital econômico. É na distribuição de renda que se encontra a chave do desenvolvimento. Dar oportunidade a todos, desde a infância, com acesso à educação, à informação e ao mercado de trabalho. A renda per capita brasileira é uma das piores do mundo, e o Brasil está classificado entre os 50 países mais corruptos do planeta. Se não sanarmos esse problema com a máxima urgência, não conseguiremos dar passos mais largos rumo a um futuro promissor. Se assim continuarmos, o que se avizinha é a mais completa catástrofe, na qual triunfarão a miséria, o descalabro e a violência.
Somos um país essencialmente agrícola. Temos terra fértil, clima temperado, a maior bacia hidrográfica do planeta e mão-de-obra de sobra, mas não criamos mecanismos de investimentos e estímulo à produção rural. A indústria morre sufocada por um modelo econômico que a coloca numa camisa-de-força e a joga num poço sem fundo. O PIB está estagnado, e as divisas vão embora como areia nos vãos dos dedos. É urgente um novo modelo tributário e financeiro que leve ao desmascaramento da inflação, embutida em todos o produtos e serviços ao dispor da população. Quem não percebeu que o remédio, a passagem, a comida e os outros produtos e serviços dispararam desde o começo do Plano Real?
O governo federal diz que o País tem inflação controlada, que a taxa de juros é a menor e que o País tem crescido nos últimos anos. É claro que se pode dizer isso, pois há duas economias no Brasil: uma oficial, que é exposta nos meios de comunicação, e outra paralela, que assombra os lares de milhões, em especial os que não tiveram acesso à educação e ao mercado de trabalho.
Somos a oitava maior economia do mundo só no papel, porque enquanto figuramos em dados e estatísticas, a realidade se mostra nua e crua. Somos um país jovem, sem gerente e ao léu. A reforma tributária e econômica haverá de ser algo que comece a mudar a cultura e os modos do mercado financeiro, da classe produtiva e do setor de serviços. Haverá de ser um mecanismo que expurgue o capital especulativo e dê um basta à ganância por lucros exorbitantes.
O País não pode ser refém do capital especulativo, do FMI, do modelo econômico ultrapassado e da lentidão que impera no Planalto. Com justiça fiscal, distribuição de renda e compromisso com a educação, com certeza estaremos trilhando o caminho da fartura e do progresso.
Esse discurso não é original, pelo contrário, é antigo. Vamos acabar com a falta de vontade política, com a morosidade da Justiça, com a crença no jeitinho que em tudo se dá, com a impunidade e com a política exclusivista do grande capital econômico que impõe as regras no mercado. Somar esforços, edificar novos caminhos e cobrar um país melhor aos nossos representantes: este é o nosso dever.
- HENRIQUE BARROS é economista e vereador (sem partido) em Londrina





