As primeiras avaliações do pacote de política industrial, lançado pelo governo federal, é de que os pontos básicos para deslanche da indústria brasileira não são atacados. As críticas partem do Estado mais industrializado do País (São Paulo) e mostram que não foram removidos obstáculos ao investimento em infra-estrutura e nem houve redução dos impostos de forma ampla. É ''um pacote inadequado em relação ao que a indústria realmente quer para crescer'', declarou ao jornal ''O Estado de S.Paulo'' o economista Sergio Vale.
Ele diz que primeiro é preciso dar condições básicas ''para desobstruir os entraves infra-estruturais, principalmente os que incidem sobre a produção'', incluindo-se aí os transportes rodoviário e marítimo. Esse analista declara que faltam ao pacote as condições básicas para realmente impulsionar o desenvolvimento. Opinião idêntica é compartilhada pela economista Zeina Latif, também de São Paulo, segundo quem a política industrial hoje deve ser outra. Também ela bate forte na carga tributária, não só para as indústrias mas para toda a cadeia produtiva. Isto (a baixa), no seu entender, bastaria e as empresas caminhariam pelas próprias pernas. Se ela defende menos impostos, critica as isenções tributárias específicas, que ''podem criar distorções no mercado''. São condições macroeconômicas que se exige, e o pacote que ora se lança não será sentido, ao menos a curto prazo - é o que entendem esses analistas. Ademais, as medidas beneficiam apenas alguns setores e não todas as empresas. Uma medida anunciada como macrometa é ampliar as exportações - de R$ 160,6 bilhões no ano passado para R$ 208,8 bilhões em 2010 - mas os beneficiários da política exportadora são ainda os grupos mais poderosos.
O que ocorre é que o Brasil cresce, por conta do empreendedorismo empresarial, e à revelia de medidas governamentais. Alguma coisa que o governo faça é sempre melhor do que nada e acredita-se que, ao menos, este plano neutralizará um pouco os efeitos da última elevação da taxa básica de juros. Mas a euforia manifestada pelo ministro Guido Mantega não é tanto como ele diz: que o programa ''é ousado como há muito não se via''. Nem tanto assim, sabendo-se bem do ufanismo governamental e da euforia dos governantes, sempre maior que a realidade. Quanto ao esperado aumento das exportações, isto é considerado natural, com base no que veio acontecendo, e há quem avalie que o crescimento ainda será maior do que o previsto pelo governo, independente das medidas ora tomadas.

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