Pacientes, médicos e hospitais insatisfeitos com SUS
A propaganda governamental sobre bons atendimentos de saúde é apenas discurso, porque as queixas contra o Sistema Único de Saúde (SUS) partem de doentes, médicos e hospitais. Uma realidade é que o Brasil tem também um grande contingente de doentes pelo elevado índice de subnutrição - em muitíssimos casos começando no ventre materno - ou pelo excesso dos que têm mais posse e contraem males por abuso alimentar, com destaque para a obesidade e o que decorre disto.
Apenas 5% da população brasileira utiliza a medicina privada, conforme o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, significando que o restante depende do SUS. A saúde no Brasil recebe apenas 3,5% do produto interno bruto, o que está muito abaixo da média recomendada pela Organização Mundial da Saúde. Vale para a medicina curativa e para a preventiva, havendo casos de moléstias tidas como extintas que estão retornando.
Tudo isto por negligência governamental e não por falta de dinheiro. Porque o pesado custo do empreguismo, do esbanjamento e de estruturas desnecessárias consomem fortunas. Com a recente crise mundial o governo brasileiro logo arranjou dinheiro para socorros financeiros (até certo ponto necessários, para as coisas não se agravarem) mas a saúde não recebeu esse benefício extra e continuou carente. Na verdade a saúde nunca foi prioridade de qualquer governo. Se quando chegam aos hospitais os pacientes do SUS são bem atendidos - por mérito dos atendentes, que não fazem distinção entre eles - a maioria das clínicas atende rapidamente cada caso, e a justificativa é o baixo ganho por consulta. Os hospitais demoram para receber e ontem este Jornal mostrou que o SUS deve R$ 1,4 milhão ao Hospital Evangélico de Londrina, por atraso que vem desde setembro. Mesmo nos tempos da famigerada CPMF as coisas não eram melhores.
No caso específico de Londrina, a cidade tem de atender também a pacientes de vasta região, porque pequenas localidades quiseram ser município independente das sedes municipais a que pertenciam - para acomodar anseios políticos e vaidades - mas continuaram na dependência dos serviços mais sofisticados. Assim, a recorrência aos centros mais desenvolvidos não cessou.
Seria lícito diminuir ganhos de prefeitos e de todo o corpo funcional dessas comunas e ressarcir os centros maiores nos dispêndios que lhes causam os atendimentos pelo SUS. Seria uma espécie de ágio, e já há fortes opiniões tornadas públicas mais ou menos nesse sentido, conforme a FOLHA tem publicado. Se as populações desses municípios não têm culpa por isso, os políticos a têm, porque são eles os grandes geradores de problemas.





