Pacientes estão cansados de esperar por microcirurgias
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de maio de 2003
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Sempre que tentam buscar uma solução para seus problemas, os pacientes que precisam de microcirurgias complexas para reconstituição de membros no norte do Paraná escutam a mesma resposta dos órgãos competentes: o Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a credenciar um hospital em Londrina. A promessa, porém, já se arrasta por mais de dois anos e a demora já compremete a recuperação de muitos desses pacientes.
O marceneiro Edvaldo Rodrigues, 30 anos, é um exemplo típico desse descaso. Em 30 de janeiro de 2001 teve decepado quatro dedos da mão esquerda quando operava uma serra elétrica circular. ''Eu vim em um carro e os dedos vieram em outro'', comentou o rapaz. A operação de reimplante foi feita com sucesso pelo Hospital Evangélico (HE) de Londrina. Mas o marceneiro precisava passar por outras microcirurgias para recuperar os movimentos dos dedos. ''O meu maior problema é que fui liberado pela perícia do INSS mas ainda não consigo trabalhar'', reclamou. Segundo o marceneiro, o restante do tratamento foi avaliado em cerca de R$ 12 mil.
Situação semelhante vive o motorista Romildo Jesus de Oliveira, 31 anos. Ele sofreu um acidente com um caminhão em setembro de 2002 e teve o braço esquerdo praticamente decepado. Oliveira também reimplantou o membro no HE mas não consegue prosseguir com o tratamento. Teve, por exemplo, que pagar R$ 700,00 para retirar os pinos metálicos colocados para fixar o braço, mesmo estando sendo acompanhado pelo Hospital Universitário. ''Estamos cobrando uma posição do Ministério Público, do Cismepar (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paraná) mas ninguém resolve. Com o secretário (municipal) de Saúde nós nunca conseguimos falar'', afirmou Oliveira. Para recuperar a mobilidade no braço esquerdo, o motorista teria que pagar cerca de R$ 30 mil. Cansado, ele chegou a pensar em amputação para acabar com as dores.
Numa entrevista concedida há cerca de um mês, o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, informou que o Evangélico estaria prestes a ser credenciado pelo SUS. A assessoria do hospital, porém, informou que nada estava confirmado oficialmente e que a diretoria também espera por isso há bastante tempo. A direção executiva do Cismepar confirmou que os dois pacientes precisam passar por microcirurgia mas afirmou que o órgão realiza apenas cirurgia de média complexidade.
A divisão de avaliação e controle da Secretária Municipal de Saúde foi procurada pela reportagem mas ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto. O secretário Silvio Fernandes também foi procurado pele telefone celular mas o aparelho estava desligado ou fora da área de serviço.


