PACIENTES DE AIDS - Resgatando a auto-estima
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Joelma Teixeira Borian, diretora da Diretoria de Auditoria, Controle e Avaliação da Secretaria Municipal de Saúde, falou à FOLHA sobre a portaria do Ministério da Saúde que regulamenta cirurgias reparadoras para portadores de Aids. Oito novos procedimentos foram regulamentados, no início deste ano, mas o que tem sido mais realizado é o preenchimento facial com polimetacrilato, pois a perda de gordura na área do rosto aparece mais rapidamente. Em Londrina existem cerca de 1.500 pessoas vivendo com HIV e Aids; pacientes que tomam antiretrovirais são, em média, 600.
O que determina a portaria?
Ela é fruto de uma discussão que vem acontecendo há bastante tempo no Brasil sobre o processo de tratamento e de organização das redes de atenção e cuidado ao paciente portador de Aids. Em 2004 houve a portaria 2582 GM que inclui cirurgias reparadoras para pacientes de Aids e usuários de antiretrovirais. A portaria de março deste ano incluiu e regulamentou os procedimentos.
Quem avalia os pacientes que devem fazer o preenchimento facial? Como é feita essa avaliação?
O infectologista faz a avaliação, passa pelo atendimento de uma psicóloga antes para ver a aceitação, se realmente entendeu a explicação sobre a forma como vai ser realizado o procedimento e se o aceita, e até as consequências após o procedimento. Depois dessa negociação, o nome do paciente entra numa fila e aí as dermatologistas credenciadas fazem o atendimento pela ordem.
Em Londrina quantos procedimentos já foram feitos?
Realizamos 53 atendimentos, todos os pacientes que estavam aguardando para realizar o procedimento foram atendidos. Pacientes de Londrina foram 49, e um de cada uma das seguintes cidades: Lupionópolis, Maringá, Porecatu e Faxinal. Dos que passaram pelo procedimento, 19 eram mulheres e 34 homens; 27 pessoas na faixa dos 40-49 anos; 17 de 30-39; e nove de 50-59 anos. Agora estamos em processo de encaminhamento para continuidade do tratamento, alguns desses pacientes ainda irão realizar retoques no preenchimento.
Têm uma avaliação de como funciona para os pacientes? Melhora a auto-estima?
Sem sombra de dúvida. O impacto é bastante importante. Tanto que o ministério incorporou como uma política nacional, ela foi amplamente discutida na sociedade, não só com profissionais, mas também com os portadores de Aids para chegar a decisão de que era importante uma política para a realização desse procedimento. A auto-estima das pessoas depois do preenchimento aumenta muito, a alegria é enorme. É possível ver a alegria de todos os pacientes que realizaram o procedimento e eles conseguem passar esse sentimento para outras pessoas no convívio, nas idas ao ambulatório. As pessoas ficaram encantadas ao ver a diferença. É uma satisfação muito grande.
O preenchimento com polimetacrilato é mais comum? Porque a portaria fala de oito procedimentos?
O mais frequente é o uso do polimetacrilato para preenchimento facial. Em geral é a região que mais tem perda de gordura. As dermatologistas de Londrina fizeram o treinamento oferecido pelo Ministério da Saúde para realizar o procedimento. A intenção é que essa equipe se qualifique cada vez mais.
Qual o custo?
É bem alto. Cada frasco custa em média R$ 332, um frasco contém 10 ml. A quantidade utilizada para cada pessoa varia. Teve um paciente atendido que precisou de 17 ml, outro não chegou a 7 ml. Então, em média, usa-se cerca de 8 ml por paciente. Esse valor é somente o medicamento, não estamos falando do treinamento dos profissionais, da capacitação da equipe, de todo investimento que é feito para que essa equipe trabalhe de forma multiprofissional, organizada, alinhada, além de estrutura física, outros materiais e os recursos humanos envolvidos no procedimento.


