PAC já contaminado por superfaturamentos
O Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Lula, mais conhecido como PAC, mal começa e já está contaminado pela corrupção, porque onde gira dinheiro público esse mal logo se instala. Relatório do Tribunal de Contas da União aponta irregularidades graves em 48 obras, várias delas vinculadas a esse Programa, e três estão no Paraná. O ponto não poderia ser outro: o sobrepreço que, neste Brasil de tantos governos irresponsáveis, já é rotina e contabiliza somas monumentais.
O relatório foi enviado ao Congresso, que tem competência para bloquear recursos orçamentários, mas é pouca a esperança de que medidas saneadoras aconteçam. Obras iniciadas e que eventualmente venham a ser suspensas já terão consumido grandes recursos. Este é um país de irregularidades nas administrações públicas porque, como já se escreveu neste espaço, tantas coisas tocadas com dinheiro do povo estão encobertas pelo manto da ilicitude.
Como a corrupção tem mão dupla, a podridão tem a participação de agentes públicos, de empreiteiras que constroem obras e toda a gama de fornecedores e prestadores de serviços para a corpulenta máquina governamental. No Paraná, supergastos lesivos constatados pelo Tribunal estão em obras rodoviárias e adequações em refinaria de petróleo. Ainda vivendo clima eleitoral, os brasileiros se desencantam com essas notícias, apesar de que não sejam novidade. Porque a elevação do custo de obras e serviços para que desse artifício saia a cota do ganho por fora é uma doença crônica que envolve todos os escalões do poder, aí incluídas as prefeituras. E as câmaras de vereadores não ficam isentas porque têm a obrigação de fiscalizar, mas também muitos dos seus membros participam de falcatruas. Barbaridades que se repetem e que, com toda a certeza, serão praticadas também pelos que acabam de se eleger.
O custo Brasil não se situa apenas no gasto com o atendimento básico de saúde, educação, segurança, na manutenção do funcionalismo indispensável, na construção de obras necessárias e conservação das existentes, mas também e grandemente no superfaturamento. E por aí vai, com o inchaço do funcionalismo descartável, a burocracia onerosa e emperradora, as mordomias, o desperdício, os imerecidos salários de tanta gente e a vergonhosa ostentação governamental.





