Pequenos e delicados, os ovos de serpente não parecem dizer o que contêm. Mas quando surgem seus filhotes podemos prenunciar o medo que causarão. Lá estão todos os atributos que gerarão o temor. O corpo liso e escamado. A cauda afilada. A agilidade sem membros e sobretudo o veneno que desde cedo já podem inocular.
As madraças não foram criadas para gestar seres peçonhentos. Foi a distorção da finalidade das antigas escolas islâmicas que as foi desviando para o ensino exclusivo da ideologia. Com o tempo esqueceu-se a matemática, a física, a geografia, e restou apenas o Corão e o professor a ensinar uma forma rígida de pensar.
É tão estacionária que só podemos compará-la a tempos medievais, quando se ensinava no Ocidente que os judeus envenenavam poços, e eram responsáveis pelas pestes. Pobres hebreus, únicos a tomar banho, por imposição religiosa, eram também os que pareciam imunes às pragas provindas da falta de higiene, daí para julgá-los culpados era só um salto de lógica.
Porém, os brasileiros só conseguem ver o que ocorre no outro lado do mundo. É cristalina para todos que uma educação ideológica, voltada para a ação contra os inimigos de seu grupo, gerará em mentes infantis um congelamento de concepções.
Como fazem as madraças da população pobre do Islã. Sim, da população pobre, porque os ricos têm escolas muito melhores, com múltiplas disciplinas, e se forem bem afluentes mesmo, mandarão seus filhos estudar em universidades do Ocidente.
Alguns voltaram revolucionários, querendo abolir véus, instalar tecnologias, televisões, reformar seu mundo medievo. Mas os pobres não. Eles serão educados para as crenças cegas dos religiosos, para o ódio aos infiéis e alimentarão os grupos terroristas do futuro.
Última chance para ser herói e famoso, entrar nos céus e enfim poder ter 72 huris a servi-lo, como um sultão, é explodir-se num clarão, espedaçando infiéis, como Sansão, que morreu soterrando filisteus. Nada muito diverso, Sansão virou herói, não foi?
Basta olhar para o nosso lado. Já temos nossas madraças chocando ovos de serpente. Os acampamentos do MST já as providenciaram. Retratos de ideologias vencidas estão pendurados nas paredes. Lênin, criador do império que desabou deixando miséria atrás de si. Mao, com seus milhões de vítimas e seu extermínio cultural, que Veríssimo festeja como construtor de uma nação mais soberana. Guevara, o guerrilheiro que fracassou, mas não sem antes deixar dezenas de milhares de cadáveres atrás de si, de pobres negros que nem entendiam por que as balas os perfuravam em Angola. Nem por que ali estavam aqueles cubanos.
Estas escolas estão ensinando do mesmo modo que as madraças uma ideologia que já venceu. Uma luta que já perdeu o sentido. E o estado brasileiro não acordou para o perigo. Hoje são milícias armadas. Invasões e desafios à ordem constitucional. Juízes despreparados confundindo leis e justificando crimes. Forças da ordem emasculadas, como sucede no Rio Grande do Sul, onde qualquer militante de esquerda, celular na mão, desafia a polícia certo de que o governo estadual está atrás de si.
Neste clima, veremos surgir um dia os desafiantes certos de sua ideologia, crentes no uso da força, dispostos ao esbulho e ao crime, como aqueles que aprendeu a reverenciar. Não haverá terreno para sua vitória, mas pagaremos caro para erradicar a violência que já se instala. Não perguntemos então como foi que pôde acontecer. Fomos nós que chocamos os ovos de serpente.
- PETRUCIO CHALEGRE é consultor de empresários em Porto Alegre
www.chalegre.com.br

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