O Fórum Mundial de Ufologia, que será realizado na próxima semana em Curitiba, vai pedir a abertura de arquivos secretos que registram a presença de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs) no espaço aéreo de vários países, inclusive no Brasil.

Para o coronel da reserva da Aeronáutica, Antonio Celente Videira, que mora no Rio de Janeiro, é estudioso do assunto e participará dos debates, a questão é tão séria que deve ser tratada como problema de segurança nacional. O militar lamenta que, além de não receber a devida atenção das autoridades, o assunto ainda seja tratado como chacota.

Por que o Brasil precisa dar mais atenção aos OVNIs?
O Brasil deveria dar mais atenção à Ufologia porque existem objetos de origem desconhecida que aparecem em nosso espaço aéreo.®MDNM¯ Este novo tipo de penetração que existe no território, por meio aéreo, visa fazer reconhecimento de determinadas áreas, analisar populações. É uma senhora ferramenta para a inteligência de um outro ''país'' que tem interesse em conhecimentos estratégicos nossos.

Existem estudos que comprovam a existência desses objetos voadores?
Não seria exato dizer que existem estudos comprovando. Existem, sim, fenômenos que surgem nos céus e que não se sabe a origem. O astrônomo francês Jackie Valier, que reside nos Estados Unidos, diz que apenas entre 3% a 5% dos fenômenos que acontecem nos céus não têm explicação. Ou seja, para 95% há uma explicação. Pode ser um avião, pode ser um balão. A diferença de 5% é suficiente para que venhamos a nos debruçar sobre o assunto e tentar uma explicação a respeito.

E como a Força Aérea Brasileira encara este assunto?
A FAB não tem, na sua organização, um departamento que estude especificamente o OVNI, como em outras forças aéreas: chilena, uruguaia, francesa, inglesa. Estas entidades procuram analisar essa fenomenologia não por uma questão mística ou emocional, e sim voltada para a defesa de seu espaço aéreo. Acredito que esse é o momento da nossa Força Aérea também se preocupar com esse tipo de estudo como várias outras se preocupam com o fenômeno em si.

Por que há algumas décadas esse fenômeno era observado com maior frequência?
Nessa época, quando os pilotos voavam a 300 km/h ou 350 Km/h, houve uma grande incidência de avistamento de OVNIs, principalmente nos Estados Unidos. O aviador hoje opera esses Boeings que voam a 1.100 km/h. Ou seja, o piloto deixou de ser o aviador romântico para se tornar um gestor de cabine. Tem que olhar todos os equipamentos de bordo, os computadores, fazer contatos com os pontos fixos em terra justamente para que ele consiga manter a segurança em voo e com isso, pouco tempo lhe sobra para vislumbrar o que há de diferente em nosso céu.

O piloto relata, de alguma forma, esse tipo de ocorrência?
Isso é considerado no meio aeronáutico como um tráfico suspeito e tanto o piloto comercial quanto o militar teria que relatar isso quando do pouso. O piloto, porém, deixa de informar para não cair na chacota de colegas dizendo que viu coisas ou que foi tudo ilusão.

A ausência desses relatos não prejudica os estudos sérios que poderiam ser feitos sobre o assunto?
Acredito que sim. A informação é a base do conhecimento e mesmo que essa informação não se transforme em um conhecimento, é algo que você recebe, é um dado, e ela se transforma em conhecimento quando se tem a exata comprovação da verdade que aquele dado está trazendo. Todo avistamento que deixa de ser registrado numa ficha exclusiva que os pilotos portam prejudica os estudos futuros sobre o assunto.

E o que é feito das fichas preenchidas?
Quando os pilotos observam algo e registram, esta ficha é encaminhada ao Comando de Defesa Aérea Brasileira. Mas pela própria vontade do governo, passando pelo Comando da Aeronáutica, isto não chega ao conhecimento público. O que se faz hoje é um trabalho para que esses arquivos sejam liberados para a sociedade, que sejam colocados à disposição do Arquivo Nacional, onde qualquer cidadão terá acesso a essas informações.

Serviço
O 3º Fórum Mundial de Ufologia será realizado no Hotel Promedade, em Curitiba, entre 11 a 14 de junho. A inscrição custa R$ 100,00. Outras informações no www.npubrasil.com.br ou pelo (41) 3324-0805.

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