Ao criticar o Governo Lula, o cardeal primaz Geraldo Majella Agnelo já não se ocupa de mensalões e valeriodutos, mas cobra-lhe eficiência governamental e desenvolvimento social, no lugar do assistencialismo, que assim mesmo nem funcionou a contento. E ao ouvir – pelas palavras do cardeal – o recado da Igreja Católica, velha aliada do PT, Lula comporta-se com a arrogância do político indiferente e discursivo de sempre, bom de conversa e ruim de serviço. Melhor seria se chamasse a autoridade maior da Igreja, no Brasil, ademais presidente da Conferência Nacional dos Bispos, para escutar o recado de quem representa mais de 100 milhões de católicos, portanto mais da metade da população. E não apenas por essa condição, mas por se tratar de uma voz respeitável e de um líder que, pela sua vivência no exercício sacerdotal – e seguindo a política da Igreja no âmbito temporal – conhece a realidade da vida social brasileira, especialmente a dos pobres. O ex-bispo de Toledo, ex-arcebispo de Londrina, ex-coordenador da pastoral da Arquidiocese de São Paulo, ex-auxiliar do Papa João Paulo II no Vaticano e ele mesmo um candidado ao Papado no último conclave, é sem dúvida uma opinião que um presidente da República apreciaria ouvir. Mas Luiz Inácio Lula da Silva não apenas não ouve os alertas da organização religiosa que sempre o apoiou, mas revida, e com irreverência. Mais que apoiar o PT, a Igreja comprometeu-se politicamente por isso, tendo sofrido algum desgaste entre os fiéis não concordantes. De novo, quatro anos depois, Lula está nos palanques como candidato, na busca de voltar ao poder para pouco ou nada fazer, como até agora pouco ou nada fez. Ao contrário, permitiu muita corrupção no âmbito de seu partido e de seu governo. Fazer campanha eleitoral e discursos ricos em promessas, que já se provou ele não saber cumprir, esta é a sua especialidade. Nisto seu desempenho é magistral. ‘‘Eu não vi um banco quebrar no Governo Lula; pelo contrário, os bancos estão lucrando cada vez mais’’, disparou o cardeal. Sobre a Bolsa-Família, Dom Geraldo disse que ‘‘é um assistencialismo e não promoção humana, porque em alguns casos o programa estimula as pessoas a não fazerem nada em troca de R$ 60 a R$ 90 por mês’’. Os Governos mudam e a Igreja fica, com dirigentes eclesiais muito atentos e voltados para os interesses do Brasil, como tem sido historicamente. Ao menos como estratégia política o Presidente (e de novo candidato) deveria considerar isso, não com objetivo eleitoreiro mas como aconselhamento para melhor desempenho governamental. É, no mínimo, prudente ouvir a palavra desses príncipes da Igreja Católica, pela força política que enfeixam em suas mãos e pelo que podem oferecer como contribuição à causa do Brasil maior que todos almejam.

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