Outubro: a educação em debate - Anilde Tombolato Tavares da Silva
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de outubro de 1998
Anilde Tombolato Tavares da Silva 
Outubro é o mês mais propício para que se coloque em debate as questões educacionais do País, já que é neste mês que estão condensadas homenagens significativas: o Dia das Crianças - que representa o futuro da sociedade e o Dia do Professor - que representa a contribuição para que este futuro seja possível.
A cada dia crescem as preocupações que colocam em evidência a educação, seja por projetos veiculados pela mídia, das ações anônimas de milhares de professores espalhados pelo Brasil, seja pelas condições precárias de trabalho e salários que ainda assombram boa parte dos educadores brasileiros, ou pela acusação de ser ineficiente e não conseguir sanar a ferida mais dolorida do País: o analfabetismo, a evasão e a repetência. A intenção aqui não é justificar pelo que a educação está deixando de fazer ou suas causas, mas refletir em que caminhos ela deve prosseguir.
Diante do quadro educacional instalado no Brasil, a educação assim como o educador é desafiado a traçar uma nova forma para sua profissão, para que não perca o rumo da história e acompanhe as mudanças tecnológicas e sociais.
O maior desafio para nós educadores é vencer a pedagogia da desesperança, que está instalada em nosso meio; vencer as condições de deterioração do trabalho docente seja na escola ou não, e buscar qualificação técnica, teórica e ética do nosso trabalho, voltando-se para as transformações que vêm ocorrendo. É necessário construir um projeto possível para a humanização e não fadado ao individualismo, exclusão social, à fragmentação do conhecimento histórico, humano e que possibilite práticas sociais produzidas a partir de práticas educativas nascidas da própria realidade do homem.
Partindo deste princípio, ao educador cabe o aprofundamento no conhecimento do processo produtivo, na forma pela qual os homens estão produzindo e reproduzindo a sua sobrevivência, para compreender que não é um indivíduo sozinho que irá estabelecer os caminhos a ser traçados diante de uma crise, mas que a sociedade é feita por uma coletividade e é ela quem traça os caminhos necessários para seu rumo. Todos nós somos fruto desta sociedade e, portanto, somos nós mesmos que produzimos o que chamamos hoje a sociedade do futuro.
A educação resiste na teimosia de permanecer nas amarras do que já não dá mais conta de atender, perante as novas demandas da educação dos homens. Novas formas pedagógicas vão sendo gestadas ao nível de relações sociais e vão educando o cidadão. A tecnologia é um exemplo claro disto. Este princípio educativo não nasce da cabeça do educador, mas da própria prática social e produtiva com suas determinações.
O mundo contemporâneo, globalizado, já não permite a fragmentação da ciência e determina áreas de conhecimento cada vez mais interdisciplinares, enquanto os conteúdos escolares vão perdendo sua eficácia. A memória, exigência dos antigos processos, é substituída pela capacidade de localizar e produzir informações e saber trabalhar com elas; a capacidade do indivíduo é substituída pelas competências de continuar aprendendo; a avaliação para a verificação de aprendizagem é substituída pela capacidade de resolver problemas, construindo soluções.
É diante desta realidade que se precisa pensar na educação e no educador, no Brasil. Para tanto, a melhor homenagem a nós educadores, no mês de outubro, é pensar não só nas melhores condições de trabalho e de salário, mas também refletir este novo profissional necessário que começa a se delinear junto a sociedade.
- ANILDE TOMBOLATO TAVARES DA SILVA é professora universitária em Londrina


