Outras famílias assentadas temem expulsão
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sábado, 26 de julho de 2003
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
O racha político do assentamento Iraci Salete envolve outros assentados e há ameaças de novas expulsões. José Antônio da Felicidade, 54 anos, um dos poucos remanescentes da primeira leva de assentados de 1999, é um dos que sentem ameaçados.
Ele faz parte do grupo de 22 famílias que integram a associação de produtores do assentamento. ''Eu também estou sendo ameaçado, o próximo (a ser expulso) pode ser eu'', afirma. Outros assentados envolvidos também estariam sofrendo pressões por parte das lideranças. ''Eles são todos ditadores e o que resolvem está resolvido'', afirma.
Os assentados ligados à coordenação não escondem o desagrado do envolvimento do sindicalista Arnaldo Nascimento de Jesus na associação de produtores formada no assentamento. ''Ele passou a trabalhar para os bandeiras brancas (fazendeiros) e o MST não pode aceitar esse tipo de coisa'', afirma o assentado Pedro Santana, 52 anos. A reportagem da Folha entrou em contato com o MST, mas nenhuma liderança foi encontrada para comentar o assunto.
O superintendente do Incra, Celso Lisboa de Lacerda, afirmou que vai investigar as irregularidades do assentamento Iraci Salete. Segundo ele, a expulsão de moradores só pode ser realizada com o aval do órgão que também escolhe os novos moradores.
''Há dinheiro público ali na forma de investimentos, tudo tem que ser avaliado'', afirma. Sobre as outras denúncias - de comercialização e mau uso das áreas - ele admite que são fatos bastante comuns no Estado causados, principalmente, pela falta de fiscalização do Incra. ''Temos mais de 3,5 mil lotes irregulares no estado, não há nenhum assentamento que se salve, mas só temos 15 funcionários para esse serviço'', comenta. (A.S)


