Curitiba - Uma reorganização nos processos de trabalho obrigou a empresa a eliminar o cargo ocupado pela ex-coordenadora de compras e comércio exterior Carmem Cecília da Silva. Ela ficou em um grupo multinacional colombiano por 18 anos e desde setembro passado está a procura de um novo trabalho. A história dela não seria diferente de tantos outras, se não fosse o apoio de um serviço de recolocação oferecido pela antigo empregador.
O chamado ''outplacement'' representa um importante diferencial competitivo, capaz de minimizar os impactos do desligamento. ''Eu não me senti só no momento de repensar meus objetivos e procurar uma nova oportunidade'', conta Carmem Cecília.
O outplacement ou recolocação é um serviço de recursos humanos que prepara o profissional para brigar por uma vaga no mercado, além de ser uma ponte entre empregados e empregadores por meio de uma rede de contatos da empresa prestadora.
O serviço pode ser contratado pelo profissional ou pela empresa demissionária. Neste caso, os cargos executivos e gerenciais costumam ser os mais contemplados pelo benefício.
''É feita uma retrospectiva da trajetória profissional, averigua-se os resultados da carreira e o currículo é transformado em instrumento de marketing pessoal'', informa a coodenadora da Bernt Entschev, Luciana Serafim, que atua somente com pessoas jurídicas.
A especialista destaca que desde o início da crise em setembro, o volume de atendimento aumentou 30%. ''Fornecer um mecanismo de reorganização profissional para quem foi demitido é uma forma de a empresa reconhecer o valor do funcionário, ser socialmente responsável, garantir um clima corporativo menos estressante e fortalecer a imagem institucional perante os públicos interno e externo'', aponta.
O trabalho de recolocação é uma ponte entre empregador e empregado, mas a oportunidade vai depender do desempenho do profissional e também da situação do mercado. ''Nenhuma consultoria pode garantir o emprego. Nossa obrigação é alertar para um planejamento de carreira e abrir o leque de opções desta pessoa que está fragilizada'', afirma Luciana, ao lembrar que deve-se tomar cuidado com empresas que prometem milagres.
Segundo Carmem Cecília, atendida pela equipe da Luciana, o período de luto já passou e, agora, com o apoio da consultoria, ela espera por um futuro melhor planejado. ''Repensei onde eu quero estar daqui há uns anos e como vou chegar lá'', comemora, ao afirmar que vai continuar na área anterior.
''O 'outplacement' não é uma agência de empregos e sim um acompanhamento na reestruturação da carreira aproveitando o período da demissão'', esclarece Luciana, ao ressaltar que o desejo do assessorado é superior à sugestão do RH.

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