Ousadia ajuda a incrementar plantio do feijão
O agrônomo e produtor de sementes Haroldo Uemura tem sido ousado nos experimentos em busca de tornar a propriedade cada vez mais eficiente. Qualidade, aliás, reconhecida pelos demais agricultores. Por exemplo, a façanha de incrementar a produção de feijão partiu dele. Mais ainda, ousou usar a leguminosa para obter cinco safras a cada dois anos e, assim, ter produção de grãos durante todo o período.
De acordo com Haroldo Uemura, o microclima de Mauá da Serra favorece o cultivo de feijão. Aliás, o zoneamento agrícola recomenda o plantio em setembro, outubro e janeiro. Adepto de que é preciso, sempre, experimentar, o agricultor colocou o projeto em prática. Primeiro plantou o milho mais cedo no final de agosto para colher em dezembro e poder entrar com a semeadura do feijão em janeiro. Depois, em maio, planta o trigo. No verão seguinte, é cultivado o milho, seguido do feijão e implanta o milho safrinha, que vai ser colhido em junho. Nesta situação, segundo Haroldo, planta-se o trigo tardio ou a aveia. E mesmo com investimento baixo, o feijão produz 40 sacas (2,4 toneladas) por hectare na média. Na safra das águas, ele planta 72 hectares, enquanto que o de sequeiro é implantado em 170 hectares.
No sistema normal, que preconiza a rotação de cultura, tradicionalmente milho e soja, ele esclarece que, a exemplo dos demais produtores do município, carrega bastante na adubação do milho são R$ 750,00 só em insumo por hectare e também na de trigo. De insumo na soja, o investimento é de R$ 250,00 por hectare. O importante é elevar o nível de fertilidade e depois se preocupar em fazer a manutenção, explica o agrônmo. Para compensar a baixa fertilidade da terra em dois anos sem fertilização o potencial produtivo cai drasticamente , diante da alta presença do alumínio, é preciso fazer a correção seguida de adubação pesada. E no sistema de plantio direto, em que o solo não é revolvido, a resposta tem sido bastante satisfatória, comenta. Cita ainda que o manejo da lavoura leva em consideração o controle biológico de pragas o baculovírus para o controle da lagarta, no caso da soja e a rotação de cultura.
Haroldo diz que fechará a colheita do milho deste ano, que foi plantado em 480 hectares, com produtividade média de 9,2 toneladas por hectare, mantendo a mesma produção conseguida em cada um dos 360 hectares do cereal no ano-safra 2000/01. De acordo com ele, o custo de produção equivale a 105 sacas (6,3 toneladas) por hectare, considerando preço líquido de R$ 10,00 por saca. O trigo que, na opinião do agricultor é um mal necessário, ajuda a diluir o custo de produção das culturas de verão, principalmente na soja. Normalmente, o trigo é implantado em 70% da área da fazenda, ou seja, em 476 hectares, com rendimento médio de 3 toneladas por hectare. O agrônomo lembra que, sem o cereal, o gasto com a soja chegaria a R$ 800,00 por hectare, mesmo sem resposta satisfatória à tecnologia. Em cada um dos 220 hectares desta lavoura ele espera colher 3,3 toneladas.





