Dois anos se passaram desde que um grupo de empresários e líderes comunitários de Londrina reuniu-se com uma equipe de consultoria que veio a convite á visando a implantação de um projeto sustentável de desenvolvimento local e micro-regional. Foi uma reunião sem o propósito de divulgação pública, na ocasião, porém a partir daí nada transpirou a respeito. Aquilo que se afigurava como um grande projeto parece haver morrido no nascedouro. No momento em que Londrina vai cedendo para Joinville o posto de 3 cidade do Sul, tanto em índice de desenvolvimento humano como em volume de produção de impostos e de população, é oportuno rediscutir os caminhos da real vocação de Londrina, sede de região metropolitana e tida como prestadora de serviços e não mais o município impulsionado pela economia agrícola, como nos anos que se seguiram à colonização e sobretudo na fase áurea da cafeicultura. Uma das questões discutidas foi a integração de Londrina como pólo de produção, em todos os seus aspectos áincluindo os serviços dando-se prioridade a certos projetos, por ordem, envolvendo pessoas e estruturas, porque é mais difícil o indivíduo aceitar aquilo de que não participa. De certa forma fez-se isso em Joinville, em Blumenau, em São Caetano, partindo do exemplo do projeto espanhol 'Barcelona Ativa'. A meta, para Londrina, seria reunir as ações que estão acontecendo e centralizá-las num Conselho de Desenvolvimento, que embocaria numa Agência, instituição que se situaria entre o poder público e o poder privado e com autonomia para propor ações e linhas de definição. O ideal, pela palavra de um empresário presente, seria desenvolver (ou retomar) um projeto positivo, como foi no passado, em que pontificavam ideais sólidos e que resultaram no surpreendente progresso da cidade em tão poucas décadas. Observou que Londrina ''tem, hoje, dificuldade em elaborar projetos cooperativos''. O espírito prevalecente é que nada pode ser isolado mas deve contar com a participação de toda a população, de forma a que um projeto de desenvolvimento dessa envergadura resulte sustentável e permanente. Mesmo em tempos de descrença nas autoridades públicas, como agora ocorre, não pode haver esmorecimento e sim a consolidação da auto-estima da sociedade inteira. A alegoria é que a cidade tem que brilhar, com seus produtos expostos na região, no Estado, no País e no exterior, e assim atrair compradores e investidores, de modo a que todos ganhem. Algo já se fez nesse campo, mas desordenadamente e sem continuidade. Naturalmente que projetos dessa natureza precisam, mesmo, integrar a sociedade, para que haja cumplicidade nos mesmos objetivos e a comunidade se sinta parte do processo. Enfim, redespertar os brios dos cidadãos para o fato de que eles compõem a cidade e devem ser partícipes dos projetos de desenvolvimento. Londrina já tem boa estrutura mas perde terreno se não otimiza o que já existe em seu diferencial técnico e cultural, e isso depende dos poderes públicos e da comumidade. E não só local mais também regional, porque a influência da cidade já não se circunscreve aos limites territoriais do município e nem à fronteiras estaduais.

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