Boletim Focus divulgado ontem pelo Banco Central aponta para um certo otimismo na economia. Conforme o relatório, há projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,35% (apontado na semana passada) para 2,40%. Analistas ouvidos pelo BC consideraram para a análise outros indicadores positivos, como o recente resultado do PIB do segundo trimestre, que cresceu 1,5%; e a produção industrial ficou em 2,12% (também superior ao da semana anterior).
Embora a economia tenha apresentado uma melhora, analistas não estão muito otimistas quanto ao desempenho deste ano. No início de 2013 o crescimento apontado era superior a 3%; a perspectiva da inflação é fechar em 5,82% (dentro da meta estipulada pelo BC, mas ainda alta). E, para 2014, também há projeção de redução para o crescimento em 2,22%. Análises e projeções à parte, o problema é que não há indicadores concretos que apontem para uma melhora na economia. Os resultados se alternam mês a mês.
No entanto, pode-se esperar alguma melhora neste segundo semestre. Tradicionalmente o otimismo aumenta, há a injeção de dinheiro extra propiciado por negociações salariais de algumas categorias e pelo pagamento do 13º salário. Movimentação do comércio de bens e de serviços sempre vai aumentar, o que pode trazer algum alívio.
No entanto, não se pode deixar de afirmar que agora a economia "está pagando" por anos de uma política focada apenas no consumo. Ao invés de promover investimentos sólidos em infraestrutura – que são uma necessidade real do País –, a ação de foi de estimular o crescimento puxado pela demanda. O resultado chegou e era esperado.
Diante de um cenário como esse é de se esperar que alguns estímulos surtam certo efeito. Fatalmente, as obras de infraestrutura programadas para a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas devem trazer benefícios ao Brasil. No entanto, ainda falta a aplicação de uma política econômica consistente que planeje o desenvolvimento sustentável do País.

mockup