Otimismo na economia - Editorial
Otimismo na economia
Em discurso no 19º Encontro Nacional do Comércio Exterior (Enaex), que se realizou no Rio, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, garantiu que o Brasil está preparado para iniciar uma etapa de crescimento econômico, depois de resolver seus problemas na área de câmbio e de gastos do governo, antecipando que o país tem condições para crescer 6% ao ano, a médio prazo e por muito tempo. Fraga lembrou que, entre outras condições que permitirão a evolução econômica, estão a taxa de 1% de aumento da população e a estimativa de crescimento da poupança em 2,5% no futuro. O titular do BC deu a entender que os principais problemas vividos pelo País recentemente estão praticamente resolvidos, garantindo que não existem mais os entraves fiscal, cambial e monetário.
Sem dúvida, o Brasil precisa de um período firme e constante de crescimento econômico. Os índices atuais falam por si e a realidade constitui um reflexo disto: com crescimento negativo ou até mesmo com uma evolução de 1%, o que se tem é a estagnação. É vital um aumento na atividade econômica para possibilitar uma real melhoria na vida da população. As declarações do presidente do Banco Central, otimistas, ecoam de modo positivo. As afirmativas segundo as quais os mais sérios problemas de ordem econômica estão resolvidos (ou a caminho disto) são recebidas com satisfação, representando ademais a concretização não só do que o País quer, mas aquilo que se necessita como imperativo a fim de resgatar a dignidade do povo e dar-lhe condições de construir uma vida melhor. Os brasileiros, que tomaram em suas mãos o seu destino político, derrubando, pela vontade e pelo voto, um regime totalitário, precisam agora de bases firmes para realizar, também por si, a tarefa de construir um futuro digno.
Paralelamente às afirmativas do presidente do Banco Central, informações adicionais que vêm sendo oferecidas por outros setores do governo servem para ampliar a expectativa positiva. Em palestra proferida na semana passada em São Paulo, durante encontro da Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima), o secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, asseverou que a expectativa é de inflação declinante em dezembro e enfatizou também o interesse do governo em alongar a dívida pública, com maior participação dos títulos prefixados. Para a colocação desses títulos, lembrou, é importante o controle da inflação. Ainda de acordo com o secretário, os ajustes que aconteceram no petróleo e no dólar este ano não devem se repetir no ano 2000 e por isso se espera uma taxa inflacionária menor. O que é também um fator positivo adicional, que serve até como elemento fortalecedor da expectativa positiva do presidente do Banco Central.
Infelizmente, este quadro positivo não contempla a concretização rápida de uma reforma tributária capaz de garantir melhores condições para governo e o povo na luta pelo equilíbrio econômico. Entretanto, tem sido importante o acompanhamento dos fatos pelos agentes da economia, que vêm adotando alternativas para superar os problemas decorrentes da não-conclusão das chamadas reformas estruturais. É inegável que a situação do País poderia ser muito melhor se todo o arcabouço das reformas houvesse sido concluído ao longo do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Muitos problemas que complicaram a vida dos brasileiros poderiam ter sido evitados. Mas a disposição do povo e esta firme ação das autoridades econômicas oferecem base para que as expectativas positivas lançadas pelo sr. Armínio Fraga possam se converter em realidade nos próximos anos, já a partir deste 2000, que está às portas.





