''Sorria meu bem sorria/Você deve sorrir/Que outro dia será bem melhor'', a trilha sonora com a música de Evaldo Braga não poderia ser mais acertada para o final do ano no Calçadão de Londrina, termômetro sócio-financeiro-cultural da cidade. No som alto de uma loja de CDs da vizinhança o hit antigo fazia, no início da semana, até o mais sisudo dos pedestres sorrir sem perceber. Isso porque tem tudo a ver com o momento atual já que nunca se esperou tanto por um ano novo como agora.
Por conta disso, logo surge uma nova canção na mente: Adeus ano velho/Feliz ano novo/Que tudo se realize no ano que vai nascer. 2003 ainda tem 45 dias pela frente, mas a idéia ao contrário do estereótipo clássico do povo brasileiro que ''deixa tudo para a última hora'' é ir planejando 2004 com antecedência.
E os ''planos para o ano que vem'' que todo mundo já tem são ouvidos em todos os lugares. Seja na conversa de bar, onde alguém abre o jogo para os amigos e conta que vai mesmo se casar no próximo ano. Ou mesmo na fila do cinema, onde universitário às vésperas de pegar o diploma avisa que vai conquistar o mundo e a grande estréia será em 2004.
Seriam planos concretos ou meros desejos e sonhos? Vai daí que surge um outro lado bem brasileiro, o do otimismo 24 horas: tudo vai sempre melhorar. Se o primeiro ano do governo Lula não foi aquela maravilha que muita gente esperava empregos para todo mundo, muito dinheiro no bolso e saúde para dar e vender , a raiva passa logo e dá lugar ao tal do otimismo, ''no ano que vem, engata''.

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