OTIMISMO - 'Educação vai dar um salto de qualidade'
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quinta-feira, 03 de junho de 2010
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Grandes eventos programados para esta década estão colocando o Brasil no centro das atenções mundiais. O País vai sediar a Copa do Mundo em 2014 e as Olímpiadas de 2016 serão no Rio de Janeiro. Além disso, o período será marcado pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e pelo início da exploração do petróleo do pré-sal. Estes fatos vão refletir positivamente na economia, no mercado de trabalho e, em especial, na educação brasileira.
É o que garante o engenheiro civil Ricardo Orsini, palestrante e ex-consultor na área de educação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em entrevista à FOLHA, ele afirma que esta década será a melhor da história para o Brasil, que deverá dar um salto de qualidade na educação. ''O País sofre com a carência de educadores. Faltam aproximadamente 278 mil professores somente das disciplinas de química, física e biologia. Agora o Estado vai ter que investir na educação. Se não foi pelo amor, agora será pela dor'', destaca Orsini.
Qual o papel da escola para os jovens de hoje? O que mudou nos últimos anos?
Na minha época, os pais colocavam os filhos na escola para serem preparados para o vestibular. Hoje, pesquisas mostram que esse não é mais o desejo. A grande maioria dos pais trabalha fora e sabe da importância da qualificação para se manter e crescer no mercado. Desde 2006, 67% dos pais da educação infantil, quando são entrevistados, dizem que esperam que a escola prepare seus filhos para a vida e para o mercado de trabalho, que atualmente oferece muitas opções. Quando eu prestei vestibular existiam cerca de 20 cursos de nível superior. Hoje, há 678. Só na área de engenharia são 64 cursos diferentes.
E quem determina o caminho da educação são as empresas. Elas falam para as universidades que tipo de qualificação o mercado está precisando. Atualmente os profissionais disputam vagas de emprego com pessoas de todo o planeta e não somente de sua região. A tecnologia abriu essa possibilidade.
As escolas estão cumprindo com a função de preparar os alunos para o mercado?
Um aluno não passa no vestibular, entra e se mantém no mercado estudando somente no terceiro ano do ensino médio ou na véspera da prova. Ele deve começar a ser preparado na educação infantil. A cultura do vestibular no Brasil acabou levando a educação a focar somente a aprovação. Hoje não é mais assim.
Existe uma quantidade enorme de jovens querendo trabalhar, mas poucos são qualificados. A corrida por talentos é muito grande. E é exatamente por essa razão que os pais querem que a escola prepare seus filhos para o mercado e não apenas para o vestibular. Esse preparo já acontece em países de Primeiro Mundo.
Eu ouvi o (ex-presidente dos Estados Unidos) George W. Bush dizer há uns três anos em uma reunião para empresários que eles deveriam começar a aprender a falar português. Na Universidade de Harvard o idioma mais procurado é o português. E no Brasil, saber utilizar corretamente a língua materna é fundamental para se manter em uma empresa e no mercado de trabalho.
Quais as perspectivas para a educação brasileira nos próximos anos?
Esta década vai ser a melhor já vivida no Brasil. Há o pré-sal, as Olimpíadas, a Copa do Mundo, o crescimento do PIB. O Brasil vai passar uma década que nunca se viu desde o descobrimento. Nesse cenário, o papel da educação é fundamental. Em função da crise que está acontecendo na Europa, cerca de 1 milhão de jovens da Espanha está fazendo curso de português para vir trabalhar no Brasil. Os profissionais brasileiros terão que concorrer com mais gente. É preciso se preparar porque a concorrência vai ser alta.
E qual a importância de uma educação de mais qualidade nesse cenário de aumento da procura por mão de obra cada vez mais qualificada?
As oportunidades são imensas, mas o jovem vai precisar se qualificar. A educação daqui para frente vai passar a ter um papel ainda mais fundamental. Esta é a década do professor. Hoje no Brasil faltam aproximadamente 278 mil professores de química, física e biologia e 42 mil de espanhol. Foi feito um acordo com os países do Mercosul pedindo para que profissionais da área da educação viessem ao Brasil para dar aula. O professor será mais bem remunerado e mais reconhecido. O Estado não vai poder deixar de investir na educação. Se não foi pelo amor, agora será pela dor.


