A entrada do senador Osmar Dias no PT só dificultará a discussão do projeto político da oposição no Paraná. A situação política atual no nosso Estado é decorrência de vários anos vividos na construção do egoísta projeto do PSDB e do PFL e daqueles que hoje estão no poder. Também contribuíram para isso os erros táticos e estratégicos dos que estavam administrando o Estado pelo PMDB.
Neste cenário, o PT do Paraná atuou com independência e de maneira coerente com seu programa, crescendo gradativamente no País, no Estado, até chegarmos ao atual estágio, com o partido se estabelecendo como o principal caminho para a oposição conseguir acabar com o governo neoliberal no poder e, se tiver maturidade e sabedoria suficiente, sem incorrer nos erros passados dos que anteriormente foram derrotados no PMDB.
Por isso o PT não pode atrapalhar a discussão do projeto a ser implantado com a filiação desta ou daquela liderança política. O perigo do equívoco fica maior quando as estrelas petistas estaduais se furtam da responsabilidade em fazer o processo como ele deve ser feito, com a consulta às bases do partido e juntos achar o melhor caminho. Livram-se disso quando alegam que a questão é com a direção nacional.
Primeiro, o relatório passado é que Osmar seria um dos participantes do processo porque estava se desligando do PSDB e ingressando no PMDB, um dos partidos dos quais alguns setores se aliam ao PT. Até então, ninguém havia esclarecido que tentariam fazer do PT um partido preocupado com filiações para a conquista do poder, como hoje vemos e discordamos, já que assim o projeto individual ou de grupelhos ficará contemplado.
O projeto do PT que a população referendou até agora será abortado, morrendo assim quaisquer expectativas de retomada do crescimento, da autonomia, com mais uma vez o povo brasileiro tendo suas expectativas frustradas, com a decepção trazendo consigo mais perda de amor-próprio e reduzindo a auto-estima de cada cidadão brasileiro e paranaense.
Esclarece uma situação assim preocupante a trajetória do senador em questão, que é um dos dirigentes estaduais desde a Café do Paraná, no governo do PMDB, estendendo-se à Secretaria da Agricultura do PMDB, depois se filiando ao PSDB, quando este chegou ao poder e continuando dirigente como secretário e depois senador tucano.
Agora, quando o PT está se preparando para a responsabilidade da vitória, o senador já se apronta para perder o bico grande e virar estrela. Destacamos isso, sem entrar no mérito da personalidade do senador ser semelhante a do espírito do goleiro: onde pisa não nasce grama alguma, impede a alegria dos outros e para deixar-nos alegres, os próprios colegas têm de apanhar, sofrer falta para ele ir lá e só chutar (às vezes ainda erra).
Se a inversão de papéis é legítima, com a direção nacional agindo no papel da paranaense, certamente a direção geral nos permitirá a recíproca de convidarmos para virem a Paranaguá discutir o projeto oposicionista nacional, dois descontentes com o governo e críticos de FHC: o Arruda e o ACM.
Defendemos as conversas até a exaustão, mas essas mesmas conversas não podem fazer com que o PT perca a sua identidade característica que o povo referendou. Se o senador Osmar Dias ou outras lideranças defendem o término deste ciclo de governo, contribuirão para isso lutando contra ele e se colocando num partido que não o PT. Afinal, o vizinho é bom quando nos ajuda na vizinhança e não nos atrapalha dentro da nossa casa.
- PAULO BARBOSA é secretário do PT em Paranaguá e membro do diretório estadual

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