O salário mínimo estadual de R$ 437 proposto pelo governador Roberto Requião começa a ser discutido na Assembléia Legislativa, junto a outras matérias. Superior em R$ 87 ao novo mínimo nacional que entrará em vigor, o total é ainda baixo para as necessidades de quem tem apenas esse ganho. Porque o salário mínimo (SM) teve muitas oscilações desde que foi criado. Seu poder aquisitivo já foi maior, em certos tempos. Em 1959, quando a cesta básica foi implantada, ela representava 29% do SM e agora chega a 60%, portanto mais que o dobro. Uma correção regular do índice do salário deveria seguir a cesta básica e outros indicadores, como custo do aluguel, de remédios, transporte, água, luz, telefone, escola, vestuário. Quando foi criado pelo Governo Vargas, em 1940, o salário mínimo correspondia, em poder aquisitivo, a R$ 883,92. O pico histórico ocorreu em 1957, quando o salário comprava o correspondente a R$ 1.106,05, portanto duas vezes mais que os R$ 350 ora aprovados. Como já se tem escrito, se esses tetos já foram alcançados e as empresas públicas e privadas não quebraram e nem a Previdência faliu, então podem ser adotados novamente. A estatística mostra que 22 milhões de trabalhadores ganham 1 SM, 20 milhões ganham de 1 a 2, e 26 milhões acima de 2 SM. Portanto, 68 milhões ainda dependem de minguados ganhos. Nos anos 90 o SM afundou-se vertiginosamente para a média de R$ 260, e assim permaneceu até 2004. Para a empresa, o salário figura entre os altos encargos, assim como a elevada carga tributária específica da folha de pagamento aos empregados. É disso que o Governo se vale para pagar a aposentadoria, mas se houver diminuição desse peso sobre a empresa, ela certamente passará a contratar mais, mesmo com elevação do salário. Outra espada sobre a cabeça da classe empregadora é a legislação trabalhista, porque leonina e ameaçadora, pelas razões que todo empresário conhece. Portanto, um salário mínimo que já foi de de R$ 1.106 poderia ser adotado de novo – e este é o valor um pouco inferior ao que tem proposto o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, o Dieese. A perda salarial empobrece a classe trabalhadora e empobrece a economia, porque menos ganho significa menos compras. E com menos compras a indústria diminui seu ritmo, os fornecedores também reduzem a produção de matéria-prima, o Governo arrecada menos impostos, sobrando-lhe menos para obras e serviços – embora a farra com o dinheiro público continue. Quando o salário subiu de R$ 260 para R$ 300, o Dieese estimou que R$ 13 bilhões seriam injetados na economia. Essa cota, que agora irá se repetir, daí para mais, é dinheiro novo entrando no mercado. Quanto mais a moeda se situar nas bases – entenda-se o bolso do povo – e menos em poder do sistema governamental, tanto melhor. Povo pobre e Governo rico é o descompasso-pai das misérias sociais.

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