O Brasil dos últimos anos jamais esteve tão carente de pré-candidatos a vices na Presidência da República como agora. Políticos existem aos montes, com o perdão do termo que se usa aqui. Ao que parece, portanto, é que se vive um prolongado momento de crise de bons políticos.
Sabe-se que, ao contrário do que recomenda uma plena democracia, a composição das chapas segue acertos e confabulações dos bastidores do meio político, onde siglas partidárias opostas e sem afinidades – se é que os programas de cada partido existem – se ajuntam e somam forças. Um pouco por culpa do peso que a propaganda eleitoral na televisão tem, outro tanto pela ausência de escrúpulos dos que comandam os acertos, o que resulta em total desrespeito ao eleitor, a quem resta opções restritas para a prática do voto consciente.
Em relação à televisão, a população sabe que muitos partidos buscam coligações politicamente inoportunas, mas tecnicamente viáveis em termos de marketing, porque dessa forma conseguem aumentar o tempo de seus candidatos no horário gratuito da tevê. O ônus dessa negociação é da própria população, que depois da posse do eleito vê o seu candidato defendendo propostas de outros. Quanto à ausência de escrúpulos, só o fato de se coligar visando vantagem técnica já caracteriza total desprezo ao aspecto político.
Por força dessa situação, o que o eleitor brasileiro conhece, neste momento, é uma situação que, ao menos, lhe permite mais cuidado na hora da escolha. O pré-candidato a vice do também pré-candidato José Serra, do PSDB, cuja chapa é endossada pela Palácio do Planalto, é vítima de uma acusação feita pela ex-mulher. O deputado Henrique Eduardo Alves (RN) teria cerca de US$ 15 milhões depositados no exterior. Pior: em contas secretas.
Em reportagem publicada ontem por este jornal, observa-se posição do coordenador da campanha do pré-candidato Ciro Gomes (PPS), deputado Émerson Kapaz: ‘‘Se você não tem um nome indiscutível, acima de qualquer suspeita, é melhor não anunciar ninguém’’.
Equivoca-se o parlamentar. O eleitor tem o direito de saber não somente quem é o candidato, mas como também o seu vice. O coordenador, como político, deve sim se empenhar para que se evite negociações na formação de chapas e os bons políticos possam disputar cargos importantes.

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