Os verdadeiros ídolos desportistas - Paulo Moretti
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de julho de 1998
Paulo Moretti 
Escrever sobre ídolos desportistas pressupõe gostar de esportes, definindo homens e qualidades para lhes dar dimensão de sua força de atleta, sem diminuir o vigor das palavras e sem alterar a força do significado. É valer-se do vernáculo sem banalizar o elogio e sem apequenar a hipérbole, é curvar-se à realidade dos fatos sem abraçar o lugar-comum, é envolver-se na bandeira ou no uniforme sem despojar-se do respeito e da tradição que representam e incorporam.
A versão definitiva da história sempre terá algo a acrescentar quando a figura do homem e do desportista se projeta na grandeza dos seus méritos e no esplendor de suas virtudes, transformando-o não numa estrela meteórica mas num astro esplendente de permanente grandeza. Nesse contexto, não é por acaso que um Pelé, um Oscar ou um Airton Senna se transformaram em ídolos cuja projeção adquiriu uma dimensão quase mítica.
Um ídolo desportista não é aquele que é endeusado momentaneamente por suas conquistas ou façanhas, mas aquele que lança raízes profundas.
Na sua trajetória sempre estará presente a glória das conquistas sem jamais estar ausente a harmonia de identificação atleta-homem. Para tanto é fundamental construir uma imagem não apenas de prestígio nacional ou internacional, mas, sobretudo, ganhar um título cujo troféu vai além das majestáticas homenagens para elevar-se um pódio de honradez pessoal e de reconhecimento.
Certamente não será um ídolo aquele que disputar a coroa da arrogância, nem aquele que se satisfizer com vitórias fugazes de um domingo, pois o tempo se encarregará de dissipar a projeção momentânea, permanecendo apenas aquelas conquistas que resultam da conjugação do brio profissional com o caráter pessoal, cujo declínio jamais será tolerado.
Ser um ídolo não é apenas vestir uma camiseta de seleção ou desfilar vitorioso por um estádio lotado. É, antes de mais nada, agregar qualidades atléticas, congregar a garra do talento com a força de personalidade, seja para granjear respeito público, seja para merecer admiração popular, numa consagração que se sobrepõe até a interesses peculiares.
Para qualquer análise, o ídolo nunca estará dissociado do homem profissional, harmonizando virtudes e qualidades, tanto atléticas quanto pessoais, mesclando com raro brilhantismo, disciplina, inteligência e modéstia, numa dimensão social que jamais será ofuscada pela glória e num perfil esportivo que sempre será enaltecido pelo reconhecimento.
Para o ídolo desportista, o reconhecimento a seus méritos e a suas virtudes sempre haverá de transcender a sua projeção pessoal, até porque a carreira é passageira, mas os troféus de suas conquistas sempre serão definitivos e sempre farão história, não por mera ostentação ou brilho, mas por merecida homenagem.
- PAULO MORETTI é professor em Curitiba


