Os transgênicos no Brasil
A abertura do Brasil para o cultivo de plantas geneticamente modificadas, começando pela soja, inicia uma importante fase de mudanças e de desenvolvimento para a agricultura nacional. O País está sendo extremamente criterioso na escolha dessa tecnologia. A questão está passando pelos crivos técnicos da Justiça, de organismos oficiais do setor e foi objeto de estudo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBIO), que reúne alguns dos maiores especialistas no assunto, representando os Ministérios da Agricultura e Meio Ambiente, da Saúde, da Ciência e Tecnologia, da Justiça, e das Relações Exteriores.
A melhor conclusão é de que o Brasil deve se abrir para a transgenia, a exemplo do que acontece em países como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Holanda, Dinamarca e Japão, que já estão produzindo e consumindo plantas geneticamente modificadas.
No Brasil, a transgenia também foi debatida por grupos ambientalistas e a comunidade política ruralista, o que permitiu uma interação com a sociedade, possibilitando orientar melhor o consumidor.
A intenção do ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, de liberar o plantio e comercialização no País dos transgênicos está calçada em rigorosas avaliações. O plantio da soja geneticamente modificada não compromete a capacidade de exportação do Brasil.
Paralelamente, será criado um sistema de certificação de soja não-transgênica, diferenciando os dois produtos. As sementes geneticamente modificadas deverão se estabelecer como comodities, permitindo aos grãos convencionais terem um valor agregado no mercado internacional.
Apesar de não ser liberada no País, sabe-se que há cultura de soja transgênica especialmente no Rio Grande do Sul. São sementes contrabandeadas da Argentina e que já estão sendo cultivadas em Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás.
Essas lavouras clandestinas oferecem riscos técnicos para a produção porque pouco se conhece sobre sua origem e dificilmente o agricultor contará com uma assistência técnica que o oriente. Em nenhum dos casos de sementes contrabandeadas, a biotecnologia é adaptada para o Brasil, podendo inclusive trazer para o País doenças já controladas e até erradicadas.
As cultivares ilegais não asseguram a sanidade da semente em relação a doenças e pragas, não garantem a adaptação de cultivar, o que compromete a produtividade, e não oferecem garantias de germinação, vigor e pureza.
Mas os danos provocados por sementes contrabandeadas não param por aí, podendo ocorrer outros prejuízos para o agricultor. O cultivo ilegal de transgênicos acarreta multa para a propriedade, destruição da lavoura e processo criminal. Prejudicando toda a cadeia produtiva. Ressalto, também, o retrocesso que o plantio clandestino de transgênicos provoca para a pesquisa e a geração de variedades nacionais. Só os contrabandistas ganham com isso.
Se a soja geneticamente modificada não for liberada agora, haverá um crescimento das lavouras clandestinas. Em dois anos, metade da soja brasileira será ilegalmente transgênica. Comenta-se, inclusive, que 60% do próximo plantio de soja no Rio Grande do Sul esteja irregular, com variedades modificadas geneticamente.
Por isso, é importante que agricultor brasileiro aguarde que as autoridades competentes liberem o plantio da soja geneticamente modificada adaptada para o Brasil. O produtor deve esperar cada fase desta nova tecnologia para usufruir devidamente dos benefícios que ela trará. Por enquanto, é preciso respeitar as condições impostas pelas autoridades.
Logo, as sementes incorporarão substâncias ainda mais saudáveis para o consumo humano, com aumento de qualidade nutricional. E ainda agindo como vacinas naturais, com substâncias terapêuticas que auxiliarão no tratamento de doenças.
Não há dúvida de que num futuro próximo poderemos usufruir de todos esses avanços gerados pelo melhoramento genético de vegetais. O Brasil não terá como ficar de fora dos avanços da biotecnologia. Esse processo já se iniciou e é irreversível. Porém, a questão agora é decidir entre dois caminhos: continua convivendo com a ilegalidade das lavouras clandestinas ou assume uma posição para proteger o agricultor, legalizando o plantio de transgênicos.
Certamente os brasileiros não demorarão a compreender e admirar a melhor decisão do governo brasileiro, que colocará o País em igualdade tecnológica com o Primeiro Mundo.
- YWAO MIYAMOTO, de Londrina, é diretor do setor de sementes de soja da Abrasem, presidente da Associação Paranaense de Sementes e Mudas (Apasem) e diretor da Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária





