Os testes do comércio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Folha de Londrina 
Uma das atividades econômicas mais afetadas pela pandemia em 2020, o comércio varejista vem tentando conciliar a adoção dos protocolos de higiene e segurança para evitar o contágio e propagação da Covid-19 com a necessidade de manter as vendas em níveis no mínimo satisfatórios a fim de evitar o fechamento definitivo das portas.
E em Londrina esse malabarismo também acontece. Os comerciantes bateram o pé para que as restrições às atividades implantadas pela prefeitura nos primeiros meses da pandemia não fossem definitivas. A cada desempenho ruim no caixa, a mobilização por uma maior flexibilização no horário do funcionamento do comércio aumentava. O que para parte da população soava como insensibilidade às vítimas levadas pelo novo coronavírus, para outra parcela da comunidade parecia algo compreensível para salvaguardar a sobrevida de empregos.
Na última semana, o comércio londrinense experimentou a viabilidade do decreto municipal que determinou o funcionamento das lojas das 9h30 às 18h30 de segunda a sexta-feira e das 9 horas às 18 horas no sábado. A Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) avaliou a semana de testes como positiva. Entende que a maior flexibilização evita as aglomerações e permite à população ter uma oportunidade adequada de aproveitar o período de liquidações, queima de estoque e troca de presentes pós-Natal.
No entanto, para que tanto os cuidados com a saúde de todos quanto a melhora da atividade econômica ocorram de forma satisfatória, é preciso que os agentes tenham acima de tudo responsabilidade. Os lojistas devem cumprir os protocolos de higienização e, não obstante, manter seus estabelecimentos funcionando até o horário determinado, que é 18h30 nos dias de semana.
O que se viu em um dos dias de teste da nova flexibilização do comércio foi muitas lojas fechando as portas mais cedo, 18 horas, justamente no maior pico de fluxo do transporte coletivo. E aí, quem paga o pato é o cidadão que só dispões desse meio de transporte para se locomover. Da mesma forma, os consumidores – afinal, cidadãos - devem ter o compromisso de aproveitar a extensão do horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais para evitar ir às compras num determinado período do dia, evitando que a aglomeração ocorra.
Se não houver consciência das duas pontas que importam nessa relação, a cidade continuará atemorizada pela onda de uma pandemia que não escolhe suas vítimas. Londrina já contabiliza 24.400 casos de Covid-19 e 481 mortes desde o início dos primeiros registros de contágio, em março do ano passado. Enquanto a vacina não chega, não se pode tolar comportamentos negligentes e indiferentes quanto a essa triste realidade.
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