Os tentáculos de Youssef
À medida que avançam as investigações da Polícia Federal vinculadas à Operação Lava Jato vai se descobrindo a extensão do esquema montado pelo doleiro londrinense Alberto Youssef para desviar dinheiro público. Com grande influência e poder de persuasão entre políticos e detentores de cargos públicos, os ramos de atuação de Youssef foram ampliados e, pode-se afirmar, atingiram níveis inimagináveis para os cidadãos comuns.
A relação do doleiro com as autoridades não é nova. Conforme já mostrou a FOLHA, ele esteve envolvido em dois grandes escândalos regionais no início dos anos 90: AMA/Comurb, em Londrina, que culminou na cassação do prefeito Antônio Belinati e em desvios de recursos da Prefeitura de Maringá, cuja investigação também culminou na perda de mandato do então prefeito Jairo Gianotto. Em seguida, foi envolvido em outras duas grandes investigações: esquema de lavagem de dinheiro do antigo Banestado e em fraudes contra a Copel. As acusações contra ele vão desde formação de quadrilha, passando por falsificação de documento público, falsidade ideológica até chegar à lavagem de dinheiro. Chegou a ser preso algumas vezes mas foi beneficiado pela delação premiada.
Esses processos não "andaram" e também não intimidaram o doleiro, que continuou com suas operações ilegais. Agora, descobre-se que os seus "tentáculos" atingem até mesmo a Petrobras e os Correios. Por meio de empresas fantasmas ou sob a sua influência foram firmados vários contratos, cujo serviço ou entrega de produtos não ocorriam ou eram entregues a preços superfaturados. Hoje, a FOLHA veicula matéria em que Youssef é suspeito de ter participado de suposto superfaturamento nas obras de modernização da Refinaria Presidente Getúlio Vargas, em Araucária (Região Metropolitana de Curitiba). As investigações seguem em caráter sigiloso.
A partir de investigações como essas, pode-se também começar a entender por que a Petrobras tem registrado sucessivos prejuízos. A estatal tem monopólio na produção, refino e distribuição de combustíveis e tem operado no vermelho. A partir da divulgação de compras bilionárias de refinarias deficitárias, de superfaturamento em obras e em outras operações começam os esclarecimentos. Além desse megaesquema que vem à tona, pode-se supor que há muitos outros. É importante que a opinião pública cobre mais procedimentos como esses e que a punição ocorra mais rapidamente. Não se pode continuar a esperar décadas com pilhas de processos parados. O momento exige moralização.





