Os sobressaltos do pedágio
Enquanto o ex-governador Jaime Lerner passeia pelas ruas de Nova York os estragos que ele deixou por aqui vão causando transtornos, como a implantação do pedágio, que na madrugada de quinta-feira amanheceu 7,9% mais caro na BR-369 e na PR-323, surpreendendo os desprevenidos usuários. O reajuste foi autorizado pela Justiça Federal, que acatou declaração de legitimidade da cobrança de degrau tarifário pactuado entre a concessionária e o então governador. Agora que o contrato está assinado parece não haver caminho de volta e quem tem veículo automotor e trafega pelas rodovias paranaenses ainda disporá de 20 anos para irritar-se. Quem estiver nascendo hoje e irá possuir automóvel ou caminhão já está inserido entre os herdeiros do ''presentão'' deixado pelo ex-governante.
Todos acharam abusivo o aumento, porém mais abusiva foi a asssinatura desses contratos, sem precedente no mundo em face de sua peculiaridade e que, na época, passaram despercebidos não só no Paraná mas em outros Estados do Brasil porque nenhuma autoridade sabia com clareza o que estava sendo assinado. Assim como tantas coisas que são adotadas neste país, sem conhecimento de causa, e que depois mostram a verdadeira face e aí será tarde demais. O governador Roberto Requião, quando em campanha, fez difundir adesivos nos veículos com os dizeres 'pedágio é roubo', mas ao assumir percebeu que não poderia anular o que estava assinado. As concessionárias chegaram a ironizar as investidas de Requião, na cômoda posição de quem está garantido em contratos e senhoras de todas as razões.
O pedágio existe nos países desenvolvidos, mas o modelo não é este adotado por aqui. Desnecessário repetir que, para cobrar pedágio, as empresas deveriam ser donas das rodovias, significando tê-las construído inteiramente com recursos próprios, incluindo a compra da respectiva faixa territorial e todas as obras de arte. Não foi assim no Paraná e nem em qualquer outro lugar do Brasil, porque aqui as concessionárias receberam estradas prontas, já pagas pelo povo. Só não se caracterizou apropriação indébita porque foi o governo o autor da prodigiosa concessão, permitindo ademais que as empresas contratadas cobrassem de imediato tarifas cheias como se houvessem acabado de construir uma estrada. Agora, não se sabe por quais caminhos seguir. Literalmente, só por desvios... como estão fazendo alguns motoristas. Se o governo os asfaltar, poderá ser uma boa solução...





