Nas últimas semanas, muito se falou no tal jogo da baleia azul, que envolve adolescentes do mundo inteiro pelas redes sociais, com uma série de desafios em que os jogadores devem cumprir etapas, sem poder desistir. Caso contrário, o jogador recebe ameaças e sofre uma grande pressão psicológica. Mas a violência com que se manifesta não é apenas psicológica. É também física: automutilação e até a morte. Obviamente, tudo isso preocupou e preocupa pais, educadores e a sociedade como um todo.

Curiosidade, desafios. São alguns dos motivos que levam o adolescente a entrar num jogo como esse. É natural e próprio da idade sentimentos como esse, mas também é preciso ficar atento: pessoas com uma vulnerabilidade psicológica também podem adentrar a esse universo, mais como fuga de sofrimentos ou carências do que qualquer outro motivo. E o jogo se torna a gota d’água para quem já está no limite.

A adolescência é uma fase em que ainda é difícil perceber as consequências das atitudes. Isso faz parte do processo de amadurecimento. Quanto mais se amadurece, mais se aprende a lidar com ações e reações. O adolescente tem contradições internas, questionamentos sobre o mundo e uma profusão de sentimentos, que vai desde a intensidade da alegria, do amor, como também de um vazio ou crise existencial.

Pela diferença de gerações, a comunicação com o adulto fica mais complicada ou desconectada. E cada vez mais essa diferença aumenta, e razão do avanço tecnológico, que não apenas cria rapidamente novos mecanismos de comunicação, mas também capta a atenção do adolescente, que mergulha em amizades e relações digitais e virtuais, deixando de lado as vivências reais. A isso damos o nome de isolamento social.

É preciso, entretanto, ficar atento aos sinais que os adolescentes nos dão, a fim de evitar qualquer desvio de caráter e vulnerabilidade psicológica, o que pode levar a doenças como depressão e a desafios infundados, como os do jogo baleia azul. O diálogo familiar é o principal caminho para a prevenção. Criar momentos de convivência, de conversa, estabelecendo limites de uso das redes sociais e dos equipamentos eletrônicos são algumas das formas de se evitar qualquer perigo.

E, apesar de todos os cuidados, os adolescentes ainda estão muito expostos. Por isso, é preciso conversar sobre o assunto, mostrar os riscos e perigos do jogo baleia azul, falar sobre casos ocorridos e apontar qual o caminho para se defender. Mais que isso, é preciso entender e compreender como pensa o adolescente, o que o leva a se propor esses desafios, qual a opinião dele sobre o assunto. Aos poucos, pais e familiares vão descobrindo como esse tipo de conversa á feita e tratada entre os amigos. E aí tem-se mais elementos para ajudar a evitar.

Além de tudo, ainda é necessário que pais e familiares estejam atentos a comportamentos diferentes, agressivos, expansivos e de preferências ao isolamento, ou de baixa autoestima, entre outros. São sinais que podem indicar algum problema e um "pedido de ajuda". Ao menor sinal, deve-se buscar a ajuda de um profissional, que poderá indicar o melhor tratamento. Seja psicólogo ou psiquiatra, o profissional atua apenas no tratamento. A prevenção continua sendo a melhor alternativa.

CAMILA LUPORINI é psicóloga em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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