A confirmação de ocorrência de um fenômeno climático chamado downburst na última segunda-feira (21) à noite, em Apucarana, chamou atenção dos paranaenses. A identificação veio da equipe de meteorologistas do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) a partir de imagens de radar, de satélite e de registros locais da tempestade que atingiu o município na região Centro-Norte do Estado.

O downburst apresenta grande poder destrutivo, dependendo da intensidade e duração. Segundo a prefeitura de Apucarana, o temporal da segunda-feira danificou cerca de cinco mil residências, derrubou mais de 600 árvores 90% da rede elétrica do município foi danificada no momento de pico da ocorrência.

Diferentemente do tornado, que produz uma espécie de coluna de ar ascendente capaz de sugar parte do que encontra em sua trajetória, no downburst o sentido da corrente de ar é descendente. Ou seja, as fortes descargas de vento se voltam em direção ao solo. E, ao atingi-lo, se espalham horizontalmente, “varrendo” a área ao redor da base da nuvem. Os fenômenos são ocasionados por condições meteorológicas instáveis. O Simepar registrou rajadas de vento de 124,9 km/h.

Em reportagem neste fim de semana (26 e 27), a Folha de Londrina mostra que a intensidade e a frequência dos eventos climáticos recentes têm colocado os produtores rurais do Paraná em alerta. Somente em 2025, 244 municípios foram atingidos por vendavais, granizo e tornados, segundo levantamento realizado pela Defesa Civil do Estado. Ao todo, os desastres atingiram quase 273 mil moradores do Paraná, com prejuízo de R$ 1,9 bilhão. Somente os tornados afetaram 23 mil pessoas e geraram R$ 104,56 milhões de prejuízo, levando sete municípios a decretar emergência e um, Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-sul do estado, calamidade pública.

A reportagem traz também relato de uma produtora rural de Rio Bonito do Iguaçu que, quase um ano depois que o tornado devastou o município, ainda está trabalhando na reconstrução de sua casa e lavoura.

Há previsão de o período entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 ser marcado por eventos climáticos severos. Essa possibilidade levou lideranças do agronegócio a recomendarem que o campo adote medidas de prevenção para evitar perdas e se protegerem de prejuízos. Uma das recomendações é, em caso de prejuízos com eventos climáticos, fotografar e filmar os danos antes de limpar o local.

Diante desse cenário, produtores rurais, autoridades e a população precisam transformar a experiência dos últimos meses em medidas concretas de prevenção e resposta. Planejamento, monitoramento meteorológico, informação e registro adequado dos prejuízos são ferramentas essenciais para reduzir perdas e acelerar a recuperação.

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