Os segredos do amor
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 2003
Moacir Costa 
Não há nenhum exagero quando afirmamos que o amor é capaz de curar qualquer dor ou mal-estar. Realmente, ele é um poderoso antídoto contra doenças, especialmente aquelas de origem psicossomática. É também o afrodisíaco mais eficaz que existe.
Pesquisadores americanos concluíram que o amor provoca uma revolução química no corpo e na mente, produzindo um aumento positivo de energia. A simples proximidade do ser amado ou a lembrança de sua existência liberam para a corrente sanguínea dois neurotrans-missores, que são estimulantes naturais do desejo.
Esses neurotransmissores são a dopamina e a noradrenalina, que alteram o ritmo corporal e psíquico, fazendo a pressão aumentar, o coração bater mais forte, a respiração ficar acelerada, deixando as pessoas mais confiantes e felizes.
A dopamina também é uma substância ligada ao sistema motor que facilita a harmonia de movimentos. Acredita-se que seja a mola propulsora dos abraços e dos agarramentos dos apaixonados. A noradrenalina, por sua vez, associa-se aos impulsos positivos na luta que o homem trava para sobreviver. Ela é encontrada em altos níveis no sangue dos atletas que, depois do exercício físico, manifestam bem-estar e otimismo.
Já a serotonina é um outro neurotransmissor importante na quími-ca do amor, estimulando a sensação de bem-estar, que desperta sentimentos positivos estocados na memória. Existem ainda os feromônios, substâncias exaladas ou liberadas em situações positivas de amor e prazer. Quando captados por outra pessoa, provocam uma sensação de euforia, vibração erótica, fazendo com que se aproxime cheia de entusiasmo.
Isso explicaria a atração mútua e irresistível que muitas vezes ocorre entre duas pessoas. Às vezes, esse comportamento é interpretado como amor à primeira vista. Essa química também funciona quando acontece uma decepção amorosa, só que com efeitos opostos: o estômago se contrai, o coração aperta, a taquicardia incomoda, a respiração fica comprometida e os movimentos peristálticos aumentam, provocando cólicas ou prisão de ventre.
Todos esses sintomas, mais a experiência negativa vivida, estão associados a um desequilíbrio das mesmas substâncias cerebrais que, em situações de felicidade, produzem o bem-estar.
Por isso, a frustração nas relações amorosas e a ausência constante do parceiro desejado provocam a redução da auto-estima e pesam negativamente na saúde. Sabe-se que a carência amorosa está intimamente associada ao aumento da ansiedade e da depressão, males que podem provocar a diminuição do desejo, distúrbios ejaculatórios e impotência no homem, como também ausência de desejo e prazer na mulher.
É importante salientar que atrás desse sentimento genuíno e enaltecedor, existem mistérios que nem sempre são explicáveis.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
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