Os sanguessugas contra-revolucionários
O jornalista Cláudio Humberto publica que o outrora militante de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, hoje Presidente Lula, recebe R$ 4.509 por mês como anistiado da pós ditadura militar. E duas semanas atrás outros 100 tiveram ganho de causa em ações afins. O mesmo colunista diz que, nessa leva os jornalistas Sérgio Capozzi e Iza de Salles acabam de ganhar R$ 1,8 milhão cada, e dois professores R$ 900 mil e R$ 700 mil respectivamente - citando-se apenas alguns dos melhores contemplados. Todos cidadãos que um dia se insurgiram contra o regime - até aí uma legítima resistência pela causa da democracia e das liberdades - mas depois viriam a revelar idealismo e patriotismo nenhuns, pois ingressaram com ações para receber dinheiro como paga pelo que fizeram. Outro nome não se dá a esses ''heróis'' senão o de sanguessugas, um qualificativo em voga e que está sendo dado aos deputados federais que se locupletaram com o caso das transações fraudulentas com as ambulâncias. Tais reclamantes de indenização não foram os únicos, porque um grande número já se beneficiou, assim como familiares de alguns que foram mortos na época. Se a ação desses combatentes era alimentada por legítimo espírito patriótico - e as correntes adeptas e simpatizantes acreditavam nisso, naqueles tempos - viu-se depois que não era nada disso. Perdida a batalha - porque o objetivo era a tomada do poder, sem garantia de que não seria implantada uma ditadura de esquerda tão violenta quanto a existente - a recorrência a indenizações foi um oportuno casuismo. Não se sabe da história da humanidade que idealistas e guerreiros autênticos tenham posteriormente exigido recompensa por haverem perdido uma causa ou por haverem sido presos ou torturados. Isto soa no Brasil como uma vergonha, tão igual ao que ocorreu com os políticos, dirigentes partidários e assessores corruptos de tempos recentes. À custa, em ambos os casos, de dinheiro do povo. A população, pouco desperta, não atenta para o que entrou na história com a marca de uma façanha heróica e vai saindo pela porta do blefe. Louve-se os tantos que não buscaram paga alguma, mas de qualquer modo a esquerda estratégica e armada era igualmente violenta e visava não propriamente salvar a pátria mas destronar um comando ditatorial e assumi-lo. Se denúncias da época - não explícitas mas que corriam de boca em boca - eram de que também militares no poder valeram-se de expedientes de corrupção, os contrários viriam a locupletar-se depois. A dinheirama que eles agora recebem não é do Governo mas do povo, que é sempre quem paga todas as contas. A reabertura dos ''arquivos da tortura'', tão reclamada, serviu para muitos escreverem a história e alertar que um Brasil assim, nunca mais, mas também favoreceu aqueles que desejavam a comprovação para fins de indenização.





