Os riscos do vôo JJ 3054
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de julho de 2007
Jean Rodrigues 
Os riscos do vôo JJ 3054
Jean Rodrigues
Mais uma vez o Brasil assiste atônito a um acidente aéreo. Aliás, talvez nem tanto assustado dada à freqüência com que estes acidentes andam ocorrendo pelo país afora nos últimos tempos. E este é o primeiro risco que corremos: acidentes destas proporções caírem no ritmo das ocorrências cotidianas da vida. Isto sim seria uma tragédia!
Embora este acidente com o avião da TAM provoque um choque de comoção nacional com grandes repercussões, precisamos direcionar nossa atenção para o além do óbvio, do aparente, do midiático, do espetáculo da notícia. Às vezes somos cobertos por indignações que não nos permitem olhar para além daquilo que as imagens nos proporcionam e chegamos a considerações equivocadas acerca de um problema tão sério como este.
E este é o segundo risco que corremos: elaborarmos conclusões e julgamentos precipitados tendo por base apenas as imagens espalhadas e disseminadas pelos meios de comunicação, os comentários enérgicos de apresentadores e jornalistas e reportagens de telejornais que parecem querer pegar-nos pela mão e conduzir nossa conclusão sobre fatos sequer ainda concluídos e investigados.
Mas não pára por aí. Observamos há meses os órgãos do setor aéreo realizarem reuniões, o Poder Executivo dar prazo para o fim da crise aérea, o Poder Legislativo realizar CPIs, autoridades civis darem conselhos para passageiros que aguardam por um vôo, autoridades militares darem punições a controladores de vôo rebelados e, na prática, o resultado de tantas ações culminar com a explosão de um Airbus A320. Coincidência? Pode ser que sim, pode ser que não. E este é o terceiro risco que corremos: ficarmos presos a uma burocracia ineficaz que insiste em nos dizer que há uma ingerência e ineficiência na administração do setor aéreo brasileiro.
Como se não bastasse as vidas humanas ceifadas com o acidente do vôo 1907 da GOL que causou 154 mortos, acompanhamos a mais uma violência aérea que vitimou aproximadamente 190 pessoas entre passageiros, tripulantes e funcionários da companhia aérea TAM. E este é o quarto risco que corremos: reduzir estas vidas humanas a números, a estatísticas, a objetos, a indenizações, coisificando o ser humano e deixando lacunas em espaços antes ocupados por pais e mães de família, filhos, amigos, companheiros e colegas de trabalho, cada um portador de sua história, de seus afazeres, de seus sonhos, de seus amores, de suas conquistas, de seus planos.
Mas uma pergunta incomoda a muitos: o que provocou o acidente? Ou quais os fatores que, conjugados, resultaram no maior acidente aéreo do País? Ainda não há resposta, apenas hipóteses. Pode ser uma falha humana. De quem? Pode ser uma falha mecânica. De quê? Pode ser uma falha administrativa. Qual? E este é o quinto risco que corremos: assistirmos a qualquer momento, em qualquer lugar, por qualquer motivo, com qualquer pessoa, de qualquer companhia, um novo acidente aéreo de grandes proporções no Brasil.
JEAN RODRIGUES é professor do departamento de Geografia na Universidade Federal do Tocantins
Caminhos de luz e de treva
Walmor Macarini
Estar na luz é estar na plenitude da liberdade, uma condição que não vê adversidades e permite a incursão desassombrada por qualquer caminho, mesmo que estranho; permite ouvir as vozes que ressoam de muitas direções, sem que isto cause molestação alguma. Já a treva, onde habita a cegueira da desinformação e do fanatismo, é uma obstrução à evolução. O desconhecimento, se for consciente, é sempre um portal aberto para a busca, e quem procura encontra, mas os que se fecham em suas redomas e não admitem abrir uma fenda e olhar a vastidão lá fora, estes vivem em escravidão, e por temer o encontro com a verdade, não ousam, e assim não se libertam.
O desconhecido é instigante no campo do transcendente, mas amedronta os que, durante tanto tempo, deixaram-se manipular, sem pensar por si próprios e assim obstruindo o caminho de seu crescimento. Imaginam-se subprodutos da Criação, porque foram ensinados a pensar assim, mas ignoram que este é um jogo de dominação a que se deixam subjugar. Por desconhecimento e por comodismo, permitem que alguém pense por eles. Esta é a pior das servidões. O homem tem muitas indagações e pode encontrar dentro dele mesmo todas as respostas. No entanto, não as procura ali porque não foi ensinado a saber que dentro de si mesmo estão o discípulo e o mestre.
Quando assomado por lampejos de clarividência, aquele aprisionado pelo obscurantismo e pelo fanatismo molesta-se, imaginando que isto é uma emanação do mal. Mas tem o sinistro deleite de proclamar-se pecador por acreditar que esta é uma virtude de humildade e que alcançará a bênção dos céus por essa postura. Sois deuses, disse o Mestre aos co-irmãos terrenos, mas não foi conveniente difundir isto por certos sistemas de crenças, de forma a manter os fiéis desinformados sobre o poder em si próprios, e assim mantê-los cativos.
Já os que trilham pelos caminhos mais iluminados exaltam o poder divino em cada ser e o eleva à condição de um deus. Quem exalta o homem como integrante divinal da Criação carrega o archote da luz; que o deprecia e o sufoca pelo aceno de terríveis julgamentos, habita o estreito túnel da ignorância, onde a claridade ainda não chegou. Não há um Deus julgador, porque cada qual sempre se situará no ambiente que lhe é afim. Aqui e no depois. O avanço dependerá de cada um. O homem não estará acima e nem abaixo da lei natural, em todas as dimensões onde se encontrar. Mas precisa livrar-se de grilhões seculares que o acorrentam. Dono do livre-arbítrio, tem uma sabedoria superior encontrável dentro dele mesmo, que o liberta de todas as dúvidas e lhe abre os caminhos do entendimento.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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